Mordaz

Este espaço tem uma visão crítica da ciência, do humanismo e do laicismo como base para as relações do homem com a natureza e das relações dos homens entre si. Este tripé é a base das relações sociais que devem ser usadas.

12.11.09

A Volta da justiça do oráculo

12 de novembro de 2009 | N° 16153
PROVA ACEITA

Justiça valida carta espírita

A carta psicografada usada na defesa de uma mulher acusada de mandar matar um tabelião em 2003 foi validada pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) ontem.

Incluído no julgamento que absolveu Iara Marques Barcelos em 2006, o documento foi motivo de controvérsia. À época, a 1ª Vara do Júri de Viamão permitiu que as quatro frases supostamente transmitidas pela própria vítima, o tabelião Ercy da Silva Cardoso, fossem lidas ao júri. Na carta, o tabelião chamava a acusada de amiga e dizia estar triste com a situação. Ercy foi executado com dois tiros no dia 1° de julho daquele ano. Cinco dos sete jurados consideraram a ré inocente.

A utilização do documento dividiu juristas após o julgamento. Descontente, a assistência da acusação entrou com recurso, questionando o uso do material.

Ontem, o TJ-RS decidiu não haver motivos para que fosse determinado novo julgamento. O desembargador-relator, Manuel José Martinez Lucas, afirmou que o exercício da religião é protegido constitucionalmente e cada um dos jurados pôde avaliar os fatos.

Para o desembargador Marco Antonio Ribeiro de Oliveira, que presidiu a sessão, havia provas para a absolvição e condenação, cabendo aos jurados decidirem. Na mesma linha, o desembargador José Antonio Hirt Preiss ressaltou que o júri entendeu não haver provas para a condenação.

Embora ainda haja possibilidade de recurso, a decisão foi comemorada pelo advogado de defesa, Lúcio de Constantino.

Enquanto na Europa a Itália resiste em retirar os crucifixos das salas de aulas públicas, herança da Concordata entre a Igreja Católica e o Ditador Benito Mussolini (na Alemanha a Igreja faria, em 1933, uma concordata com Adolf Hitler com os mesmos fins), no Brasil a justiça mantém os mesmos nos tribunais. Fruto da enorme presença de magistrados religiosos e maçons nos tribunais.

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30.12.08

Poluição desnecessária para o século XXI

30/12/2008 - 15h11

Associação solta 114 mil balões em comemoração ao Ano-Novo em SP

da Folha Online

A ACSP (Associação Comercial de São Paulo) se despediu do ano de 2008 soltando 114 mil balões biodegradáveis, lançados ao ar no Pátio do Colégio, na região central de São Paulo, às 12h desta terça-feira.

Alexandre Meneghini/AP
Tradição começou em 1992 com apenas 100 balões; em 2008 foram 114 mil em SP
Tradição começou em 1992 com apenas 100 balões; em 2008 foram 114 mil em SP

Segundo a assessoria da associação, a entidade optou por lançar 114 mil balões em comemoração aos seus 114 anos de existência.

A tradicional despedida do ano acontece desde 1992 em São Paulo. Na ocasião, foram lançados apenas 100 balões de gás.

No ano seguinte, saltou para 1.000 balões. Em 2002, o número de balões saltou para 50 mil; em no ano seguinte foram 55 mil, depois 110 mil (2004), chegando a 11 mil em 2005 e a 112 mil em 2006 –até atingir os 114 mil balões lançados hoje.

A idéia de comemorar o Ano-Novo com balões foi pelos funcionários da entidade, que decidiram trocar a tradicional “chuva de papéis picados” por balões, evitando a sujeira e a poluição da cidade.

A sociedade podia passar sem o papel picado, mas esta ação de jogar balões de borracha é muito pior e desencessária.

criado por bandarra    16:33 — Arquivado em: Sem categoria, preservação

9.11.08

Não eram terroristas? Deixa disto…

ORGANIZAÇÕES SUBVERSIVAS BRASILEIRAS

Antes do Golpe Reacionário de 1964, eram 5: PCB, PC do B, PORT, ORM-POLOP e AP; depois de 1964, proliferaram numa variada “sopa de letrinhas”:

- Ação Libertadora Nacional (ALN); antes: Ala Marighela e AC/SP (Agrupamento Comunista de São Paulo)

- Ação Popular (AP); depois: Ação Popular Marxista Leninista (APML)

- Ação Popular Marxista Leninista do Brasil (APML do B)

- Ação Popular Marxista Leninista Socialista (APML Soc)

- Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP)

- Ala Marighela

- Ala Prestes

- Ala Vermelha (AV)

- Aliança de Libertação Proletária (ALP)

- Aliança Nacional Libertadora (ANL)

- Alicerce da Juventude Socialista (AJS): da CS

- Coletivo Autonomista (CA)

- Coletivo Gregório Bezerra (CGB); ver PLP

- Comando de Libertação Nacional (COLINA)

- Comitê Luiz Carlos Prestes (CLCP)

- Comitê de Ligação dos Trotskistas Brasileiros (CLTB)

- Comitê de Organização para a Reconstrução da Quarta Internacional (CORQI)

- Convergência Socialista (CS)

- Corrente Revolucionária Nacional (Corrente)

- Democracia Socialista (DS)

- Dissidência da Dissidência (DDD)

- Dissidência da Guanabara (DI/GB); depois: Movimento Revolucionário Oito de Outubro (2º MR-8)

- Dissidência Leninista do Rio Grande do Sul (DL/RS)

- Dissidência de Niterói (DI/NIT); depois: MORELN; depois: MR-8 (1º MR-8)

- Dissidência de São Paulo (DI/SP)

- Dissidência da VAR-Palmares (DVP); depois: Liga Operária (LO) = Grupo Unidade (GU)

- Força Armada de Libertação Nacional (FALN), de Ribeirão Preto, SP

- Forças Armadas Revolucionárias do Brasil (FARB)

- Força de Libertação Nacional (FLN)

- Frente Brasileira de Informações (FBI)

- Frente Revolucionária Popular (FREP)

- Fração Bolchevique (FB)

- Fração Bolchevique da Política Operária (FB-PO) = Grupo Campanha

- Fração Bolchevique Trotskista (FBT)

- Fração Leninista pela Reconstrução do Partido (FLRP)

- Fração Leninista Trotskista (FLT)

- Fração Operária Comunista (FOC)

- Fração Operária Trotskista (FOT)

- Fração Quarta Internacional (FQI)

- Fração Unitária pela Reconstrução do Partido (FURP)

- Frente de Ação Revolucionária Brasileira (FARB)

- Frente Democrática de Libertação Nacional (FDLN)

- Frente de Mobilização Revolucionária (FMR)

- Grupo Bolchevique Lenin (GBL)

- Grupo Campanha = FB-PO

- Grupo Fracionista Trotskista (GFT)

- Grupo Independência ou Morte (GIM); depois: Resistência Armada Nacional (RAN)

- Grupo Político Revolucionário (GPR)

- Grupo Tacape (do PC do B)

- Junta de Coordenação Revolucionária (JCR)

- Liga de Ação Revolucionária (LAR)

- Liga Comunista Internacionalista (LCI)

- Liga Operária (LO)

- Liga Operária e Camponesa (LOC)

- Liga Socialista Independente (LSI)

- Ligas Camponesas

- Movimento de Ação Revolucionária (MAR)

- Movimento de Ação Socialista (MAS)

- Movimento Comunista Internacionalista (MCI)

- Movimento Comunista Revolucionário (MCR)

- Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP)

- Movimento de Libertação Popular (MOLIPO)

- Movimento Nacionalista revolucionário (MNR)

- Movimento Operário de Libertação (MOL)

- Movimento Popular de Libertação (MPL)

- Movimento Popular Revolucionário (MPR)

- Movimento pela Revolução Proletária (MRP)

- Movimento Revolucionário de Libertação Nacional (MORELN); antes: Dissidência de Niterói (DI/NIT); depois: Movimento Revolucionário Oito de Outubro (1º) (MR-8)

- Movimento Revolucionário Marxista (MRM; depois: Organização Partidária Classe Operária Revolucionária (OPCOR)

- Movimento Revolucionário Nacional

- Movimento Revolucionário Oito de Outubro (1º) (MR-8); antes: Dissidência de Niterói (DI/NIT) e Movimento Revolucionário de Libertação Nacional (MORELN)

- Movimento Revolucionário Oito de Outubro (2º) (MR-8); antes: Dissidência da Guanabara (DI/GB)

- Movimento Revolucionário 4 de Novembro (MR-4)

- Movimento Revolucionário Vinte e Seis de Março (MR-26)

- Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT)

- Marx, Mao, Marighela - Guevara (M3G)

- Núcleo Combate Brasileiro (NCB)

- Núcleo Marxista-Leninista (NML)

- Organização de Combate Marxista-Leninista -
Política Operária (OCML-PO)

- Organização Comunista Democracia Proletária (OCDP)

- Organização Comunista Primeiro de Maio (OC-1º Maio)

- Organização Comunista do Sul (OCS)

- Organização Marxista Brasileira (OMB)

- Organização de Mobilização Operária (OMO)

- Organização Partidária Classe Operária Revolucionária (OPCOR); antes: Movimento Revolucionário Marxista (MRM)

- Organização Quarta Internacional (OQI)

- Organização Revolucionária Marxista - Democracia Socialista (ORM-DS)

- Organização Revolucionária Trotskista (ORT)

- Organização Socialista Internacionalista (OSI)

- Partido Comunista Brasileiro (PCB)

- Partido Comunista - Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC)

- Partido Comunista do Brasil (PC do B)

- Partido Comunista Brasileiro Revolucionário
(PCBR)

- Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML)

- Partido Comunista Novo (PCN)

- Partido Comunista Revolucionário (PCR)

- Partido da Libertação Proletária (PLP)

- 90: é o novo nome do Coletivo Gregório Bezerra (CGB)

- Partido Operário Comunista (POC); depois: Partido Operário Comunista - Combate (POC-C)

- Partido Operário Independente (POI)

- Partido Operário Leninista (POL)

- Partido Operário Revolucionário Trotskista (PORT)

- Partido Operário Socialista (POS)

- Partido da Revolução Operária (PRO)

- Partido Revolucionário Comunista (PRC)

- Partido Revolucionário do Proletariado (PRP)

- Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT)

- Partido Revolucionário Trotskista (PRT)

- Partido Socialista Revolucionário (PSR)

- Partido Socialista dos Trabalhadores (PST)

- Partido Unificado do Proletariado Brasileiro (PUPB)

- Política Operária (POLOP; PO)

- Ponto de Partida (PP)

- Reconstrução do Partido Comunista (RPC)

- Resistência Armada Nacional (RAN); antes: Grupo Independencia ou Morte (GIM)

- Resistência Nacional Democrática Popular (REDE; RNDP)

- Secretariado Internacional (SI)

- Secretariado Unificado (SU)

- Tendência Bolchevique (TB)

- Tendência Leninista da Ação Libertadora Nacional (TL/ALN)

- Tendência Leninista-Trotskista (TLT)

- Tendência Majoritária Internacional (TMI)

- Tendência Proletária da Democracia Socialista (TP/DS)

- Tendência Quarta Internacional (TQI)

- Tendência Trotskista (TT)

- O Trabalho na Luta pelo Socialismo (OT-LPS)

- O Trabalho pela Quarta Internacional (OT-QI)

- União dos Comunistas Brasileiros (UCB)

- União Marximalista (UM)

- União Marxista-Leninista (UML)

- União Socialista Popular (USP)

- Unidade Comunista (UC)

- Vanguarda Armada Revolucionária - Palmares (VAR; VAR-P; VAR-PAL)

- Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)

- Vanguarda Socialista (VS)

- Vertente Socialista (VERSO)

criado por bandarra    16:02 — Arquivado em: Sem categoria

10.10.06

A certeza absoluta

Quem se acha que está iluminado pela luz, que acredita que foi abençoado, e acredita que realmente o catolicismo é a fé verdadeira, deve pensar um pouco nisto. De onde vem esta certeza e esta fé no que acredita ser o verdadeiro, parâmetro para julgar os outros errados e perdidos?

Tente fazer uma abstração, um exercício de imaginação, desde que isto não coloque a sua alma em perdição, supondo que se tivesse nascido em Teerã, numa família de muçulmanos, se teria esta certeza e esta fé. Se tivesse nascido na Índia numa família de Hindus, se consideraria o catolicismo algo coerente e verdadeiro.

Com um pouco de honestidade emocional, com um pouco de imaginação se pode claramente concluir que não seria católico, e veria os católicos como pessoas irremediavelmente perdidas e sem esperança de salvação. Podemos trocar a religião que se foi criado e fazer esta abstração em relação as outras. Será que nascendo numa família espírita a pessoa acharia o islamismo algo coerente e certo. Algo pelo qual se pode morrer em defesa?

Podemos perceber, por estas analogias, que a certeza com que as pessoas medem as suas verdades não passa de uma escala de valores adquiridas dentro da família pela qual se é criada, e nada tem a ver com uma relação verdadeira com Deus. Julga-se a religião com os próprios valores dela, com a qual a mente das crianças foi emprenhada na infância, e que ao crescerem, se tornam presas permanentes desta falsa verdade (ou verdade artificial). Os judeus, islâmicos, protestantes, hindus, taoistas, não são pessoas perversas, mas pessoas como nós, que ao serem criadas dentro de outra cultura, adquirem na infância valores que não mais poderão abandonar psiquicamente. Não por serem por acaso verdadeiras, mas simplesmente porque foi-se programado dentro destes valores que se tornam vivos dentro da nossa mente limitada.

Pessoas, que chamamos de fundamentalistas, estão tão presos a este mundo imaginário, que se negam a qualquer afastamento mental mesmo que por um milímetro dele, tão presos ficaram no mundo infantil com o qual foram emprenhados mentalmente. Incapazes de cresceram emocionalmente para fora deste mundo, toda a divergência ou fato que ameace a sua forma de ver o mundo se torna uma ameaça viva ao seu mundo que deve ser combatido, reconstruído como era, rejeitada qualquer visão diferente da original. O sofrimento pela existência de um mundo que não se dobra a sua verdade e a sua certeza provoca grande sofrimento mental e contrariedade. Para isto se apega a palavra literal, a livros primitivos, a negação de reconhecer a relatividade e a simples obra literária de quem viveu há milênios. Para ele são verdades incontestáveis com a qual se nega a questionar sem sofrimento. A tranqüilidade do mundo infantil cheio de certezas e proteção paterna e materna é buscada pelas forças do inconsciente para reconstituir os valores e o equilíbrio.

Um exemplo característico foi a expressão usada por um católico fanático que disse que as pessoas que abandonavam o catolicismo estavam “cuspindo no prato que comeram”. Pode-se perceber facilmente que está analogia de comer no prato representa isto que ele não se permita fazer, deixar de venerar aqueles valores incutido na sua mente que ele não mais reconhece como externo. Não ousaria trair os pais, ou renegar os valores deles.

O raciocínio de Freud em favor de suas teses anti-religiosas, como sabemos, é cerrado e complexo. Para ele, a necessidade da religião vincula-se ao sentimento infantil de desamparo - Hilflosigkeit - e à nostalgia do pai suscitada por esse estado, a fonte última de toda religião, e encarou a religião como uma ilusão sem futuro e como a contrapartida da neurose que todo homem atravessa no caminho compreendido entre a infância e a maturidade, defendendo com veemência este ponto de vista em inúmeras oportunidades.

O pediatra e psicanalista britânico Donald Woods Winnicott (1896 – 1971) dizia. Defendia Winnicott que o homem maduro é aquele capaz de identificar-se com a sociedade sem ter que sacrificar excessivamente sua espontaneidade, é capaz de atender suas necessidades pessoais sem tornar-se por isto um ser anti-social, e de aceitar certa responsabilidade quando isto se tornar necessário. De sua própria experiência pessoal, ele, não crente, dizia: "Sempre me alegrei de que minha educação religiosa tenha sido tal, que me permitisse poder distanciar-me da religião"

Ana Maria Rizzuto, psicanalista baseada em Winnicott, levanta o mundo da mãe e a sua figura, em oposição a figura paterna e ao complexo de Édipo na construção da religião.

Resumindo, o que faz um católico, espírita, muçulmano, judeu, adventista, budista, hindu é cultura que seus pais possuíam, e não em nenhuma verdade maior na terra ou no mundo sobrenatural.

criado por bandarra    20:26 — Arquivado em: Sem categoria

9.10.06

Papa ataca o estado Laico pela terceira vez

Papa ataca o estado Laico pela terceira vez em um mês!

O foco do discurso do Papa na Alemanha era a união entre as grandes religiões contra a liberdade de expressão e científica. Felizmente os muçulmanos não entenderam o trato.


09/10/2006 - 14h13

Bento 16 diz que homem perdeu o sentido do pecado

da Ansa, no Vaticano

O papa Bento 16 afirmou nesta segunda-feira que o homem contemporâneo "perdeu o sentido do pecado", e isso sobretudo "onde Deus é excluído da vida pública".

A declaração do sumo pontífice foi realizada dentro da audiência que concedeu à Conferência Episcopal do Canadá ocidental, em visita ad limina [tradicional encontro que a cada cinco cinco anos os bispos de um país ou de uma região eclesiástica realizam com o papa].

Joseph Ratzinger pediu aos católicos que valorizassem a confissão dos pecados, e que todos refletissem sobre as conseqüências da pretendida auto-suficiência do homem.

Em seu discurso, o papa leu a parábola do filho pródigo como exemplo de separação de Deus, e a perda da consciência do pecado.

"A tentação do homem de exercer sua própria liberdade tomando a distância da relação com Deus é freqüente, e quando a liberdade é buscada fora de Deus, o resultado é negativo: perda da dignidade pessoal, confusão moral e desintegração social."

No contexto social contemporâneo, Bento 16 manifestou aos bispos a "responsabilidade de indicar a presença destrutiva do pecado" e a definiu como "um serviço de esperança".


O inquisidor, se o desejar, poderar exigir que as autoridades civis façam o juramento de defender a Igreja da perversidade herética e de proteger o inquisidor durante os exercícios das suas funções. Ele os intimará a comparecer na sua presença através de uma carta …(Directorium Inquisitorum), Nicolau Eymerich, 1376

criado por bandarra    22:06 — Arquivado em: Sem categoria

6.10.06

Os direitos da maioria

O Cristianismo é a favor da liberdade religiosa e respeito ao laicismo onde é minoria, no Oriente Médio e nos países islâmicos como Sudão, Indonésia e Filipinas, por exemplo, onde devem se esconder para praticar e professar livremente a sua fé, além de ocultarem seus símbolos em público. Na Itália, Espanha, Portugal e Brasil são contra esta mesma liberdade. É fácil ser quando se é a maioria. Mas democracia e uma nação não se fazem apenas pela maioria, mas pelo direito e pela liberdade de todos. Religião é uma parte da vida que deve ficar na esfera privada e não na pública. Até para que esta tenha reais condições de decidir e resolver contendas entre as partes livremente sem a interferência de preconceitos religiosos.

Quando da tentativa de retirar o Crucifixo dos ambientes do Estado foi argumentado que éramos um país de maioria cristã e, portanto, esta deveria impor a sua vontade. Mas alegar este direito é o mesmo que na história levou a maioria cristã a obrigar aos judeus a se converterem ao credo oficial, criando os cristãos novos, a matarem protestantes por serem a minoria, que instituíram a Inquisição para perseguirem os poucos. Os cátaros foram eliminados em nome da pureza da doutrina de Cristo por serem a minoria. A maioria criou as sete cruzadas para espalhar o terror no mundo mulçumano em nome deste mesmo princípio da primazia da Cruz. Os negros trazidos ao Brasil para serem explorados foram proibidos até mesmo de usarem a sua crença pois ela estava em desacordo com a daquele que morreu na Cruz, condenado que foi no julgamento legal da época pela maioria. “Nós somos a maioria e não importa quem ou o que esteja na frente que nós arrasaremos”.

O problema não é o mestre iluminado, mas justamente o que fazem os seus alegados seguidores que não tardam a usar a sua maioria para praticar a intolerância e o obscurantismo. Não por estarem certos, como alegam os seus defensores, mas por ser a maioria apenas. Não existe nenhuma diferença moral entre aquelas pessoas e as de hoje. Até mesmo a Inquisição possuía o seu corpo de advogados para tornar o processo de Deus "cristianizado".

É esta a grande luta que se trava no mundo moderno nos países mulçumanos que este mesmo princípio religioso deva ser privilegiado pelo estado nas suas instituições civis pelo direito da maioria. O terrorismo atual visa recolocar o islamismo do poder do estado na Chechenia, Somália, Afeganistão, e em outras partes do mundo. E pela posição dos cristãos que se sentem seguro neste lado do mundo, não titubeiam em vociferar contra o estado laico. Esqueceram facilmente o quanto os seguidores de Lutero sofreram na Europa Católica, e os seus crimes em nome deste mesmo crucifixo e pelos mesmos motivos que alegam que devam ser mantidos nas paredes dos órgãos do Estado: O direito da maioria se impor impiedosamente sobre a minoria. Parece que a história anda sempre em círculos sem nunca aprendermos.

criado por bandarra    19:35 — Arquivado em: Sem categoria

4.10.06

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós.

Lembram?

Passado o pior da crise do pronunciamento do Papa Bento XVI, devemos por a mão na consciência e tirar alguns ensinamentos. Lembrarmos primeiro que o Santo Pontífice fizera um ataque explícito ao racionalismo e a ciência: "Não existe só a surdez física, que isola em grande parte o homem da vida social. Existe uma debilidade auditiva com respeito a Deus, que sofremos especialmente em nossos tempos", declarou o Papa alemão. "A verdadeira ameaça para suas identidades vem do desprezo de Deus e no cinismo que considera o insulto ao sagrado como um direito da liberdade e que eleva a utilidade a ponto de critério supremo para os futuros êxitos da investigação", afirmou. Um ataque a livre expressão tão cara conquistada pelo ocidente em anos de luta pela liberdade de pensamento.

A resposta imediata ao discurso do Papa pelo Islã ao que consideraram um ataque, na forma de violência e intolerância nos deve lembrar que não é Deus que está faltando no mundo, mas mais humanismo, o que está colocando em risco a convivência entre as pessoas. A primazia da idéia de que somos todos humanos, e que dogmas de cada um não os fazem com mais direitos ou mais certos do que os outros. Que todos temos direitos a livre expressão, a viver em paz, a acreditar no que quisermos.

E que isto não significa como o herdeiro de Pedro prega de que as pessoas devem calar as razões e as críticas, mas antes que a intolerância deve ser combatida. O sagrado, a fé, o culto são deveres do crente, e não de quem não é. Por isto que católicos querem evangelizar os outros por total desrespeito às civilizações e aos povos. Não são os não crentes que devem comer peixe na sexta-feira santa, não comer carne de porco, deixar de fazer a barba, não blasfemar, não pecar contra a castidade, guardar os dias santos, se lastimarem fisicamente no dia do profeta. São aqueles que acham estas coisas o caminho da salvação que devem assim fazer.

Por que o Catolicismo pode levar a palavra da “sua” razão contra as outras religiões e culturas devendo se calar a ciência e o humanismo? Mais uma vez se salienta a importância do estado laico na preservação dos direitos e paz coletivos em detrimento de maiorias subjetivas. E nisto vemos que já estamos perdendo os espaços públicos onde os crucifixos insistem em permanecer fora do local apropriado em um Estado que, a cada dia deixa de ser de todos. Dentro do equívoco de que é um direito da maioria!

Ou reaprendemos isto, ou em pouco tempo voltaremos a queimar igrejas, mesquitas, sinagogas, terreiros e bibliotecas!

criado por bandarra    22:30 — Arquivado em: Sem categoria

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