Mordaz

Este espaço tem uma visão crítica da ciência, do humanismo e do laicismo como base para as relações do homem com a natureza e das relações dos homens entre si. Este tripé é a base das relações sociais que devem ser usadas.

31.10.07

Deus é Fiel

 DEUS É FIEL, e por isto exige a fidelidade de seus fiéis. Por isto coloca criancinhas sedutoras para testar a vocação sacerdotal dos padres!

                                       

                                       

Mas Deus é Fiel, assim ele nos deixa a porta para o perdão: Não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo. E o pecador pode voltar para o seio da sociedade perdoado e redimido. As portas abertas da Igreja estão sempre para acolher as ovelhas arrependidas que abram o coração para o Senhor Deus!

                                       

E as crianças que Ele usou para testar aqueles pastores que apacentavam suas ovelhas? Elas carregarão o trauma e a vergonha para o resto da vida por terem sido usadas por Ele para o medir o livre arbítrio do pecador, que pode se arrepender, e ficar tudo numa boa!

criado por bandarra    20:29 — Arquivado em: Falsidades

29.10.07

Os pecados do Padre Pio

domingo, 28 de outubro de 2007, 17:32

LIVRO SOBRE SANTO ITALIANO PROVOCA IRA DE CATÓLICOS

Historiador italiano sugere que sangramento nas mãos de padre Pio, que virou santo em 2002, eram uma fraude

Robin Pomeroy, da Reuters

ROMA - Para milhões de católicos, o padre Pio era um homem santo, cujo sangramento nas mãos eram estigmas, sinais sobrenaturais de sua fé profunda e de seus poderes miraculosos. Mas um novo livro sugere que o padre italiano, que morreu em 1968 e foi santificado pelo papa João Paulo II, cometeu fraude, causando seus próprios ferimentos. O livro vem atraindo a fúria de fiéis, que acusam o autor de "calúnia anticatólica".

Em "Padre Pio, miracles and politics in 20th century Italy" ("Padre Pio, Milagres e Política na Itália do Século 20"), Sergio Luzzatto revela que o Vaticano era inicialmente cético em relação ao padre, cuja imagem é popular em casas, lojas e restaurantes em toda a Itália.

"O trabalho de um historiador não é dizer se um milagre é verdadeiro ou falso", disse Luzzatto à Reuters em entrevista pelo telefone. "É entender por que, em um país como a Itália, que no século 20 podia ser considerado secular, os milagres são tão proeminentes, o que isso diz sobre a Itália?"

Com acesso a arquivos do Vaticano, Luzzatto encontrou evidências de que o padre capuchinho encomendou secretamente garrafas de ácido carbólico, que ele poderia ter usado para criar as feridas em suas mãos, semelhantes às do Cristo crucificado.

                                                        

Com a fama do padre crescendo no começo do século 20, altas autoridades do Vaticano desconfiaram de que ele poderia ser uma fraude, mas a torrente de devoção foi se tornando grande demais, e a Igreja acabou tolerando e, mais tarde, reverenciando o padre.

Pio morreu em 1968, aos 81 anos, 50 anos depois de anunciar sua primeira experiência de estigmas. Em 2002, o papa João Paulo II canonizou o padre como Santo Pio de Pietrelcina, depois de encontrar evidências da cura miraculosa de uma mulher doente, devido à intervenção do padre.

                                                                             

Infalibilidade papal

A popularidade do santo na Itália é imensa. Seu local de nascimento, no norte da Itália, foi transformado em um santuário que atrai multidões de peregrinos. Um estudo de uma revista católica no ano passado constatou que mais católicos italianos rezam para ele do que para qualquer outro ícone da fé, incluindo a Virgem Maria e Jesus Cristo.

Mesmo antes da publicação do livro esta semana, trechos publicados em um jornal nacional geraram muita polêmica. "Lembramos ao professor Luzzatto que, de acordo com a doutrina católica, a canonização implica em infalibilidade papal", disse Pietro Siffi, líder da Liga Católica Antidifamação, em comunicado no site do grupo na internet.

Em referência às origens judias de Luzzatto, Siffi acrescentou: "Podemos sugerir que o professor Luzzatto coloque suas energias no estudo de sua própria religião, uma vez que, quando se trata de estudar o cristianismo, e o catolicismo em particular, parece que ele passa dos limites."

Luzzatto, que leciona na Universidade de Turim, rejeitou a noção de que a história católica deva ser objeto de estudo exclusivo de católicos. "Ninguém pergunta a um pesquisador da história grega: ‘Você acredita em Júpiter?’ Não é relevante para um historiador responder a esse tipo de pergunta."

Declarando-se agnóstico, Luzzatto diz que não acredita em estigmas, mas acredita que a história do padre Pio revela muita coisa sobre a Itália e a Igreja Católica Romana, que, em sua análise, aprendeu a amar o padre apenas depois que ficou claro que ele tinha um grande número de devotos.

"Essa história mostra que a Igreja às vezes tem de se resignar a deixar as camadas mais baixas vencerem, em vez da hierarquia." "Não há dúvidas de que, mesmo que o padre Pio já tivesse defensores no alto escalão da Igreja nos anos 1930 e 1940, esse é um dos casos em que a base venceu." 

                                      

Mas o interessante, que depois que o Padre Pio passou a vida com as chagas nas palmas das mãos, pois as concepções artísitcas assim representavam a crucificação, os estudos do Sudário de Turim afirmam que a crucificação só poderia ocorrer pelo prego nos pulsos e não nas palmas da mão! Quem está errado, a estigma é falso ou o sudário?

                                                  

Trata-se de um caso de Dermatite artefata (Dermatitis artefacta) ou automutilação, que é uma doença psiquiatrica caracterizada por lesões da pele auto-infligidas pelos próprios pacientes. No caso, o religioso de tanto ver imagens de santinhos e desejando ardentemente se transformar em vida numa pessoa adorada, pratica em si mesmo as lesões!

criado por bandarra    17:29 — Arquivado em: Falsidades

28.10.07

A força incomparável de Ayaan Hirsi Ali

                                                                

Em novembro de 2004, o cineasta Theo van Gogh foi morto a tiros em Amsterdã por um marroquino, que em seguida o degolou e lhe cravou no peito uma carta em que anunciava sua próxima vítima: Ayaan Hirsi Ali, que fizera ao lado de Theo o filme Submissão, sobre a situação da mulher muçulmana. E assim essa jovem exilada somali, eleita deputada do parlamento holandês e conhecida na Holanda por sua luta pelos direitos da mulher muçulmana e por suas críticas ao fundamentalismo islâmico, tornou-se famosa mundialmente. No ano seguinte, a revista Time a incluiu entre as cem pessoas mais influentes do mundo. Como foi possível para uma mulher nascida em um dos países mais miseráveis e dilacerados da África chegar a essa notoriedade no Ocidente?

Em Infiel, sua autobiografia precoce, Ayaan, aos 37 anos, narra a impressionante trajetória de sua vida, desde a infância tradicional muçulmana na Somália, até o despertar intelectual na Holanda e a existência cercada de guarda-costas no Ocidente. É uma vida de horrores, marcada pela circuncisão feminina aos cinco anos de idade, surras freqüentes e brutais da mãe, e um espancamento por um pregador do Alcorão que lhe causou uma fratura do crânio. É também uma vida de exílios, pois seu pai, quase sempre ausente, era um importante opositor da ditadura de Siad Barré: a família fugiu para a Arábia Saudita, depois Etiópia, e fixou-se finalmente no Quênia.

Obrigada a freqüentar escolas em muitas línguas diferentes e a conviver com costumes que iam do rigor muçulmano da Arábia (onde as mulheres não saíam à rua sem a companhia de um homem) à mistura cultural do Quênia, a adolescente Ayaan chegou a aderir ao fundamentalismo islâmico como forma de manter sua identidade. Mas a guerra fratricida entre os clãs da Somália e a perspectiva de ser obrigada a casar com um desconhecido escolhido por seu pai, conforme uma tradição que ela questionava, mudaram sua vida e ela acabou fugindo e se exilando na Holanda. Ayaan descobre então os valores ocidentais iluministas da liberdade, igualdade e democracia liberal, e passa a adotar uma visão cada vez mais crítica do islamismo ortodoxo, concentrando-se especialmente na situação de opressão e violência contra a mulher na sociedade muçulmana.

"Infiel mostra que uma mulher decidida pode mudar muito mais do que sua própria história." - Christopher Hitchens, Sunday Times

"Este livro é mais do que uma autobiografia comum: descreve uma jornada intelectual incomparável, que parte dos costumes tribais de uma infância na Somália, passa pelo fundamentalismo severo da Arábia Saudita e desemboca no Ocidente contemporâneo. Ao longo do caminho, Hirsi Ali exibe o seu maior dom: o talento de relembrar, descrever e analisar com honestidade o estado preciso de seus sentimentos em cada estágio da jornada." - Anna Applebaum, Washington Post

                                     

O Martin Luther King Heroes Award 2007, da organização anti-racista CORE (EUA), foi atribuído a Ayaan Hirsi Ali

criado por bandarra    7:45 — Arquivado em: humanismo

Falando a verdade francamente

                                                                 

Domingo, 28 de Outubro de 2007 |

A MULHER QUE OUSA DIZER NÃO AO FUNDAMENTALISMO

A escritora somali lança a autobiografia Infiel e diz que o Islã não é compatível com a modernidade ocidental, além de criar uma cultura que provoca atraso a cada geração

Antonio Gonçalves Filho

No primeiro parágrafo do livro Infiel (Companhia das Letras, 500 págs., R$ 49), a escritora somali Ayaan Hirsi Ali, de 38 anos, conta que nasceu num país dilacerado pela guerra e foi criada num continente "mais conhecido pelo que dá errado do que pelo que dá certo". Para os padrões da Somália, ela deveria, se ainda fosse religiosa, erguer as mãos ao céu por ainda estar viva e sã. E conta a razão: aos 5 anos, foi "torturada" pela avó até decorar os nomes de todos os ancestrais, como todos os filhos de nômades do deserto, sob o risco de ir para o inferno; ainda criança, foi "purificada" mediante a ablação da genitália; finalmente, já adulta, começou a refletir sobre a condição feminina nos países muçulmanos e, obrigada a casar contra a sua vontade, deu um jeito de pedir asilo político ao desembarcar em solo holandês a caminho do Canadá. Foi na Holanda que conheceu há quatro anos o cineasta Theo Van Gogh, com quem colaborou no roteiro do filme Submissão, definido por ela como um curta sobre os muitos tipos de sofrimento causados às mulheres pela sujeição ao Islã.

O filme acabou decretando a morte do cineasta por um muçulmano marroquino, em 2004. Van Gogh não deu a mínima quando Ayaan o alertou sobre a mensagens divulgadas pela internet que exortavam os fiéis de Alá a dar um fim em ambos. O cineasta acabou degolado na rua pelo fanático islâmico, que ainda fincou uma faca em seu peito com uma carta destinada à escritora. Nela, o assassino condenava os "atos criminosos" cometidos pela autora somali contra o Islã. Desde então, Ayaan vive sob proteção policial, primeiro na Holanda, onde chegou a conquistar uma cadeira no Parlamento, e agora nos EUA. De lá ela concedeu uma entrevista ao Estado, em que define o islamismo como "incompatível com os direitos humanos e os valores liberais".

Você diz que a mensagem de seu livro é que o Ocidente faz mal em prolongar a dor da transição do Islã para a modernidade, alçando culturas farisaicas à estatura de um estilo de vida alternativo. O Islã é, segundo seu ponto de vista, uma ameaça ao pensamento liberal?

Sim, do jeito que eu vi homens e mulheres muçulmanos enchendo a cabeça de suas crianças com a idéia de inferno e punição, o mínimo que posso dizer é que a transição do Islã para a modernidade será muito difícil, porque o fundamentalismo religioso é incompatível com os valores democráticos. Ao ameaçar quem não crê na infalibilidade do Alcorão ou do profeta, os fundamentalistas criam uma cultura que provoca retrocessos a cada geração. O inferno começa quando alguém lembra que o Alcorão foi escrito num contexto e época diferentes e os radicais o acusam de infiel, por refutar as palavras de Deus. Temos de nos livrar dessa idéia de um deus ditador, como fizeram várias religiões, entre elas o cristianismo.

A imprensa internacional costuma dizer que você e Theo van Gogh foram longe em sua crítica ao Islã, ao defender que os multiculturalistas do Ocidente não deveriam tolerar os fundamentalistas islâmicos. Você acha que sua defesa intransigente da igualdade feminina e a condenação do islamismo não podem atiçar um sentimento racista contra os muçulmanos?

Não, ao contrário. Não defendo a abolição do Islã, nem que os muçulmanos sejam expulsos dos países ocidentais, mas, neste exato momento, milhões de mulheres muçulmanas estão trancadas em casa sem o poder de escolha que eu tenho. Quando alguém me diz que a cultura islâmica está calcada em tolerância, compaixão e liberdade, penso nessas mulheres muçulmanas e como elas farão para viver num mundo moderno. O mundo islâmico está preparado para uma revolução como a do cristianismo na era moderna? Não quando a teologia islâmica proíbe qualquer discussão sobre o Alcorão. Ao admitir que o profeta é infalível, os muçulmanos instituíram uma tirania permanente, renunciando à liberdade.

No momento em que desembarcou na Holanda, você tomou contato com um sistema moral alternativo, como admite em seu livro, notando que a história filosófica e religiosa ocidentais revelam que o Ocidente progrediu depois de questionar a infalibilidade da Bíblia. Você concorda com Christopher Hitchens quando ele diz que Deus não é grande?

Concordo e entendo quando ele preconiza a necessidade de um estado laico, distante da ingerência religiosa. Religiões levam invariavelmente à guerra. Pode-se imaginar outro caminho para a evolução além de dogmas religiosos. A história da humanidade, claro, não é feita apenas de progresso. Avança-se às vezes para retroceder em outras ocasiões. O Islã nos faz retroceder. Eu, pessoalmente, recuso-me a voltar ao sétimo século e sei que muitas outras pessoas nascidas em países muçulmanos dividem a mesma posição.

Alguns jornalistas americanos gostam de provocá-la dizendo que você comprou a ideologia neoconservadora do American Enterprise Institute. Há mesmo quem diga que você estaria na mesma rota de David Frum, que cunhou a expressão "eixo do mal", depois usada por Bush. Você acredita num "eixo do mal"?

Primeiro, é preciso dizer que nem todos são conservadores no American Enterprise Institute. Há democratas também. Depois, é preciso lembrar que o instituto nasceu com o propósito de pensar a questão do mercado e influenciar governos, não o de ditar suas políticas externas. Se eu acredito em eixo do mal? Acredito, sim. É só analisar a ameaça da bomba atômica no caso iraniano, prestes a ser fabricada, ou o caso da Coréia do Norte.

Você se arrepende de ter feito o filme Submissão com Theo van Gogh quando pensa em sua morte ou nas ameaças que você recebeu?

Não. Theo tampouco deu atenção às ameaças, porque preferia morrer a ver seu país transformado pelo medo. Ele dizia: "Ayaan, este é meu país, este é meu filme. Se eu não fizer Submissão, estarei morando num país de bárbaros, e não mais na Holanda."

Salman Rushdie escreveu um texto que a define como a primeira refugiada da Europa desde o Holocausto, um testemunho único da fraqueza e, ao mesmo tempo, da fortaleza do Ocidente. Como você vê seu futuro e o do mundo?

O Islã foi fundado nos desertos árabes, dentro de uma realidade tribal que nada mais tem a ver com o mundo moderno. É duro ser uma exilada, mas não quero ser uma bandeira ou lutar contra ninguém. Digo apenas que devemos desbloquear nossas mentes. Esta é a minha contribuição para as gerações futuras.

                                                                           

criado por bandarra    7:24 — Arquivado em: humanismo

27.10.07

A força para sobreviver

                                      

A tragédia dos Andes aconteceu no dia 13 de outubro de 1972, quando o avião militar modelo Fokker F27 Friendship Fairchild F-27/FH-227, da Força Aérea Uruguaia, caiu na cordilheira, após uma escala em Mendoza, na Argentina. Vinte pessoas morreram no momento do acidente.

Após a suspensão das buscas ocorreu uma avalanche que matou outros oito passageiros, deixando vivas 19 pessoas que sofriam com a falta de alimentos.

Nos dias seguintes, outros três morreram por causa dos ferimentos sofridos e o enfraquecimento por falta de alimentos. Sessenta dias depois da queda do avião, Canessa e Fernando Parrado, dois dos 16 sobreviventes, começaram uma caminhada para tentar chegar a alguma região habitadas e depois de dez dias encontraram Catalán, que alertou as autoridades. No dia 23 de dezembro de 1972, dois meses depois do acidente, os sobreviventes retornaram ao Uruguai.

Fernando Seler Parrado Dolgay, Fernando Parrado, o Nando, passou três dias inconsciente antes de despertar e descobrir que o avião que levava sua equipe de rúgbi para jogar um amistoso integrantes de uma equipe de rúgbi de Montevidéu, o Old Christians, contra os Old Boys, do Chile.

Roberto Canessa, hoje com 54 anos e cardiologista,

Há um momento do livro que parece revelador: "A premente necessidade que me impulsionava a caminhar para o oeste era a mesma que levaria alguém a pular de um edifício em chamas. Com que lógica você sabe que chegou o momento de saltar para o vazio? Naquela manhã, eu soube a resposta. Sorri para Carlitos (Páez Vilaró) e depois me virei antes que ele pudesse ver a angústia em meus olhos. Meu olhar se fixou por um longo momento no montículo de neve amolecida que marcava o lugar em que minha mãe e minha irmã estavam enterradas".

Aquele momento… Aquele momento foi decisivo. Eu o simplifico. No tempo posterior à morte de Susana e de mamãe, reprimi todo o impulso emocional. "Se eu morrer", lembro de ter pensado, "meu pai nunca saberá como a consolei e como lhe dei calor, e o quão tranqüila parecia em sua tumba de gelo".
A partir daquele momento, tudo foi vertigem. Dez dias no limbo ou no inferno. Dois alpinistas debilitados, estressados e consumidos pela angústia, a mais de três mil metros de altura e sem equipamentos, a uma temperatura devastadora.
Meus batimentos cardíacos dispararam, o sangue ficou espesso, a freqüência respiratória se acelerou até a hiperventilação e a umidade que eu perdia ao expulsar o ar me desidratava. Estávamos com sede, o tempo todo. Não havia gelo que a saciasse.
Essa era a situação quando começou a parte mais escura e incerta da viagem. Privados de orientação segura, tudo se reduzia a escalar e viver, ou tropeçar e morrer.
Jamais estive tão concentrado. A minha mente, minha cabeça, nunca mais voltou a experimentar uma conexão tão íntima com minha animalidade. Não sei como dizer isso. Mas me esqueci de mim mesmo. Eu não era eu. Eu era minha família e todos os amigos que esperavam. Perdi o medo (estava aterrorizado). Perdi o cansaço (estava esgotado). Era um desejo, um desejo de escalar, atravessar a montanha, descer a planície. Foi um momento único, inesquecível. Se tenho que pensar em Deus, Deus me invadiu naquele momento. Estava vivo, mas vivo de verdade, a vida fluía. E eu esperava. Só alguns dias depois nos sentimos arrasados.

Isso aconteceu quando enviaram o terceiro acompanhante de volta ao avião, ficaram com sua comida e apostaram forte no rumo oeste, o mesmo que insistiram para que o amigo que voltaria memorizasse. Seguiam uma intuição, e uma vaga sombra de que abaixo se abria um vale. Mas sim, lá se abria o vale, um rio, algumas vacas e finalmente, ao longe, um camponês, um tropeiro que na manhã do décimo dia, os colocou em contato com o resto do mundo.

             

     Roberto Canessa, hoje com 54 anos e cardiologista, Fernando Parrado, o Nando


Com Roberto, anos depois, tentamos refazer aquele caminho de volta, do lugar onde nos encontraram até o avião, com todos os requisitos de segurança exigidos para um percurso naquele terreno e naquelas condições, descansados, alimentados e equipados. Ainda assim, foi impossível. Não pudemos. Estávamos sendo acompanhados por uma equipe de apoio. Ela nos recolheu e nos colocou em um helicóptero. Não sei como fizemos. Dessa vez me lembro que chorei sem parar. De uma vez, tudo escureceu e clareou. Mas nunca pude explicar como fizemos, então, para chegar ao nosso destino.

 

Queda nos Andes

10/10/2002 - 17h19
Sobreviventes dos Andes refazem viagem aérea 30 anos depois

Quinta, 18 de outubro de 2007
Após 35 anos, sobrevivente dos Andes fala

Teria Deus  matado 24 pessoas para mostrar a sua fidelidade a estes dois homens? Por que Deus não foi fiel aos outros que pereceram e aos seus familiares que sofrem com as suas perdas?

Certamente o motivo da sobrevivência se deve a juventude e a vontade de viver, coisa que anos depois eles não mais tinham ao tentar refazer dez dias de caminhada cansativa, mais velhos, e sem a premência de continuar vivos! Instinto que até animais apresentam em situações extremas também!

                                                              

criado por bandarra    9:00 — Arquivado em: humanismo

26.10.07

Falsas afirmações

Obsolescência programada é um processo alegado na minha adolescência que fora importado dos americanos. Foi desenvolvido nos Estados Unidos, antes da guerra, em razão da crise econômica. Teve-se que conceber produtos e equipamentos de curta duração, com constante reposição de peças etc, devido aos altos índices de desemprego. "De forma que uma geladeira caía aos pedaços em 6 meses e era preciso comprar uma nova." alegavam.

Países ricos, local de origem dessas teorias, incentivam a obsolescência programada porque neles o consumidor já tem tudo. Eles precisam achar um jeito de o consumidor jogar fora o produto antigo, comprar um novo e assim aumentar o PIB. Pobre não quer nada disso; pobre quer durabilidade, qualidade e confiabilidade para não ter de comprar a mesma coisa duas ou mais vezes na vida. Ele quer uma geladeira que dure, que possa ser revendida como usada sem perder metade do valor e que tenha peças de reposição disponíveis por vinte anos.

Então, mal do capitalismo, nos países omunistas as coisas deviam ser feitas para durar, e quando caira a cortina de ferro, estes produtos enceheram o mundo pela sua qualidade superior?

                                      

Conhecido como Lada no restante do mundo, na então URSS esse fabricante tinha o nome AutoVAZ, também conhecida por VAZ. No início a marca fora chamada de Zhiguli, mas isso também apenas no mercado interno. A empresa nascera em 1966 de um acordo entre a Fiat e a URSS para construir uma fábrica de automóveis, às margens do Rio Volga, que produzisse um carro popular a exemplo do Volkswagen. A operação demandou até a construção de uma usina hidroelétrica que inundou e varreu definitivamente do mapa todo um município, Stavropol.

Uma nova cidade erguida nos arredores da fábrica seria chamada Togliatti, em homenagem ao líder comunista italiano Palmiro Togliatti. Dessa sinergia entre os soviéticos e os italianos da Fiat vieram carros como os Ladas 1200, 1300 e 1500, todos derivados do Fiat 124, entre outros modelos posteriores que propiciaram a um número bem maior de russos ter acesso a um carro próprio. O Brasil importou Ladas para o mercado nacional! Será que ainda estão em perfeito funcinamento e seu valor de venda muito grande?

                                                                  
Será que em Cuba, país produtor de charutos de qualidade desde o tempo das plantations, os carros americanos desapareceram pela programação para isto?

                                    

Na verdade os carros da década de 50 ainda continuam rodando nas ruas de Cuba!

Mas a indústria passou a fabricar carros que cada vez podem durar mais, mais seguros, mais econômicos, mais modernos, menos poluidores como o caso deste VOLVO.

                                          

criado por bandarra    19:56 — Arquivado em: Falsidades

24.10.07

Religião não influencia a sobrevivência

                                    

segunda-feira, 22 de outubro de 2007, 09:32

EMOÇÕES NÃO AFETAM SOBREVIVÊNCIA NO CÂNCER, AFIRMA ESTUDO

Análise de 1.093 pacientes com câncer de cabeça e pescoço indicou que o estado emocional não teve efeito

estadao.com.br
REUTERS

WASHINGTON - Pessoas que ficam deprimidas com um diagnóstico de câncer não têm mortalidade mais elevada que os pacientes mais otimistas, segundo estudo divulgado na segunda-feira nos Estados Unidos.

É comum que as pessoas tentem incentivar os doentes de câncer a manterem o otimismo, já que muitos consideram que isso contribui para o prolongamento da vida.

Mas James Coyne e seus colegas da Universidade da Pensilvânia foram verificar dados de dois estudos sobre os estados emocionais de 1.093 pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Durante a realização dos dois estudos, 646 pacientes morreram.

A análise indicou que o estado emocional dos pacientes não afetava a taxa de sobrevivência, de acordo com o estudo divulgado na publicação Cancer. Não foi estabelecida nenhuma correlação mesmo quando eram descontados fatores como sexo do paciente e estágio e local do tumor.

"A esperança de que possamos combater o câncer influenciando os estados emocionais parece ter estado equivocada", disse Coyne em nota.

"Se os pacientes de câncer querem terapia ou estar em um grupo de apoio, devem receber tal oportunidade. Pode haver muitos benefícios emocionais e sociais. Mas eles não devem buscar tais experiências somente na expectativa de que possam estender suas vidas."

(Por Maggie Fox)

                                               

Apesar do proselitismo de crentes, quando medido, as religiões e crenças não possuem influência sobre a história natural das doenças! Elas apenas confortam e promovem uma aceitação, mas não possui qualquer melhora no aspecto que interessa. A mudança do fim ou alteração do curso natural das doenças! Tese com a qual os homeopatas e esotéricos enganam as pessoas prometendo resultados se as mesmas mudarem os pensamentos, pois estes que seriam os reis motivos das doenças, e não aqueles encontrado pela patologia médica!

              

                                                             Estelionato terapêutico

criado por bandarra    8:19 — Arquivado em: humanismo

23.10.07

Os mundo imaginários do homem

Nós, humanos, possuímos uma enorme capacidade de criar mundos imaginários, através do pensamento mágico, e vivermos neles como uma "realidade paralela".

23/10/2007 - 08h23
Discovery vai levar sabre de Luke Skywalker ao espaço

                                                               

A nave Discovery, que pode decolar nesta terça-feira (23) rumo à ISS (Estação Espacial Internacional), vai levar à bordo um objeto inusitado. Trata-se do sabre de luz utilizado pelo personagem Luke Skywalker no filme "O Retorno de Jedi", de 1983.

O objetivo é comemorar os 30 anos da série Star Wars, de George Lucas. O diretor, aliás, deve estar presente no lançamento da nave, na base aérea de Cabo Canaveral, na Flórida (Estados Unidos).

O sabre regressará na Discovery ao final da missão e ficará exposto no Centro Espacial da Nasa (agência espacial americana), em Houston (Texas).

 

criado por bandarra    10:46 — Arquivado em: Anticiência

21.10.07

A origem do mal

Casal é agredido por judeus ultra-ortodoxos em ônibus

Homem e mulher, sentados juntos, se negaram a se separar e foram agredidos por cinco homens

Homem e mulher, sentados juntos, se negaram a se separar e foram agredidos por cinco homens

                                       

Efe

JERUSALÉM - Cinco judeus ultra-ortodoxos atacaram neste domingo, 21, uma mulher de sua comunidade religiosa e um soldado por se negarem a se sentar em assentos separados em um ônibus que seguia para os arredores de Jerusalém.

De acordo com a Polícia israelense, o incidente ocorreu quando o grupo exigiu que a mulher mudasse de lugar no veículo. Após a negativa, os rapazes empurraram e insultaram a vítima (a mulher). O mesmo fizeram com o soldado. Nenhum dos dois precisou ser hospitalizado.

Quando o ônibus chegou a seu destino, a localidade de Beit Shemesh, a oeste de Jerusalém, outro ataque de fúria. Entre 40 e 50 judeus ultra-ortodoxos repreenderam os policiais que foram enviados ao local e destruíram os pneus de alguns carros da Polícia.

Esse não foi o primeiro caso de violência em Beit Shemesh. Embora não seja uma cidade de maioria ultra-ortodoxa judaica, os membros desta comunidade já protagonizaram diversos incidentes para pedir à companhia de ônibus que abra linhas nas quais as mulheres e os homens possam se sentar separadamente, informou o jornal israelense Ha’aretz.

ESTADÃO

criado por bandarra    18:10 — Arquivado em: Fundamentalismo, Intolerância

13.10.07

Deus precisa de lei para existir

                                                 

A deputada Maria Lúcia Amary, líder do PSDB na Assembléia, afirmou que ‘tentar impedir a entrada de ‘Deus na Escola’ é, no mínimo, um ato antidemocrático’.

Governo Serra  veta projeto de lei "Deus na Escola" em São Paulo
da Folha de S.Paulo

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), vetou o projeto de lei aprovado pela Assembléia Legislativa que implementava o ensino religioso como atividade extracurricular e facultativa no ensino fundamental da rede estadual.

Como justificativa, Serra afirma que a decisão de incluir religião como disciplina extracurricular cabe às próprias escolas e não pode ser imposta pelo Executivo ou Legislativo.

Críticas

O projeto sobre o ensino religioso causou polêmica. Também em artigo publicado pela Folha, a professora Roseli Fischmann, da Faculdade de Educação da USP, disse que a proposta ‘contraria o princípio da laicidade do Estado, viola o direito à igualdade e à liberdade de consciência e de crença, dos alunos e dos grupos religiosos’.

Fischmann, expert da Unesco para a Coalizão de Cidades contra o Racismo, a Discriminação e a Xenofobia, disse ainda que ‘implantar a divindade como matéria escolar, mediante o conceito de que seria possível homogeneizar as religiões e espiritualidades como ato de Estado, pode desenvolver disposição psicológica para discriminar e excluir todos os que não se submetem a semelhante padrão homogêneo’.

Coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Ângela Soligo afirmou ontem que concorda com o veto do governador. ‘Não cabe à escola ensinar religião’, disse. ‘Não há neutralidade nesse assunto. Há religiões que têm mais ou menos prestígio. Isso se refletiria na inclusão da disciplina.’

Na justificativa da proposta, Maria Lúcia afirma que a lei "visa possibilitar ao educando maior abertura e compromisso consigo mesmo, com o próximo e com Deus". E ainda se atreve dizer que a lei "não pretende catequizar ninguém"! Um Deus que se não for ensinado deixa de existir!

                                                           

                               Preparar as mentes para acreditarem nos seus enviados

criado por bandarra    19:50 — Arquivado em: Fundamentalismo

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