Mordaz

Este espaço tem uma visão crítica da ciência, do humanismo e do laicismo como base para as relações do homem com a natureza e das relações dos homens entre si. Este tripé é a base das relações sociais que devem ser usadas.

28.7.07

A medicina e o desejo de ser

continuação

Como defensor da importância da anamnese no sentido de procurar sinais e sintomas das doenças, para identificá-las e de forma racional, tratá-las de forma eficaz e eficiente, Hipócrates como seu pai foi o incentivador do método, mas Hahnemann foi o que ignorou a sua importância ao mistificar o mesmo e o tornar irracional ao abandonar a busca do diagnóstico médico, etiológico, fisiopatológico e passar a busca do sintoma arbitrário do seu livro de prescrição sem qualquer relação com a realidade que vivia o paciente na sua doença! Nenhuma utilidade existe para a medicina o diagnóstico homeopático que não leva a lugar algum. Assim como o diagnóstico médico não serve para o homeopata receitar, pois o seu embolorado livro de prescrição não possui esta relação. Nenhuma contribuição para a psicologia e a psiquiatria, como era de esperar, foi feita pela anamnese hahnemaniana, pois carecia do entendimento da pessoa, mas sim da mistificação das doenças e do sofrer. O tempo é totalmente desperdiçado em busca de uma prescrição pelo livro:

  O velho Prescrition Book

Fora deste sistema sublime, pairando além de toda experiência, a prática Homeopática não pode obter nada vantajoso para o tratamento real. Assim continua seu curso confiante na cabeceira da cama do doente de acordo com a prescrição tradicional de seus livros contando-lhe como os homeopatas têm até agora tratado, e em conformidade com o método de suas autoridades práticas, indiferente, como eles, sobre o ensino da experiência orientado pela natureza, indiferentes da razão de seu tratamento, e muito contentes com a chave da prática fácil – o livro de prescrição.” Parafraseando Hahnemann

Coisa amplamente feita pelos homeopatas kardecistas ao propagarem as idéias de intervenção espiritual e das origens sobrenaturais das doenças, muitos deles hoje em dia dedicados à terapia de vidas passadas, tão a feição das idéias de Hahnemann em vida!

Humanizar a prática médica não é abandonar o conhecimento e passar a usar o irracional e falso, apenas porque, emocionalmente, mentes menos propensas a usar a ciência que não lhes favorecem, se sintam mais confortados em suas idealizações imaginárias do que seja a realidade! Este é um ponto fraco da nossa mídia e da nossa intelligentia jornalística que não sabe e não se sente à vontade separando o joio do trigo, a astrologia da astronomia, a alegação irresponsável da evidência suficiente! Neste aspecto o jornalismo deixa muito a desejar por não fazer nenhuma diferença na formação consistente dos seus leitores que se sentem propensos em “escolher” no que acreditar em detrimento no que deveriam ter formação baseado em evidência no que fazê-lo! Um artigo do OI, Ombudsman do iG: “Crítica da mídia deveria ser obrigatória nas escolas”, sugeria que a escola tivesse uma matéria obrigatória de crítica a imprensa, quando este meio deveria ser na verdade a solução para as deficiências da escola e crítica da mesma! Invertem-se os valores das coisas pela suas carências modernas! Será que os próprios jornalistas fazem isto sozinhos melhor do que o leitor? E todos os outros assuntos que se deve igualmente ser tão ou mais crítico como o que é ciência, humanização e medicina?

A medicina integrativa defendida pelo homeopata se trata da busca do tratamento através de terapias alternativas. É um novo nome para aquilo que se desgastou como sendo apelidado de “natural”, “alternativo”, “complementar”, por não ter uso no tratamento principal dos doentes frente a doenças reais! Aquela que integra místicos, curandeiros, charlatões, embusteiros, esotéricos, terapeutas holísticos, adivinhos, astrólogos, todos fora da ciência em geral e da médica em particular, por práticas não demonstradas e a maioria de afirmações anticientíficas. Tudo aquilo que os anos de trevas cultivaram através destes milênios que nos separam de Hipócrates é defendido como a “nova modernidade” da “novíssima medicina”! A volta do desconhecimento como parâmetro novo. O abandono do método científico, que não lhe faz crédito das afirmações anticientíficas gratuitas. Aquelas em que se querem inventar leis naturais em vez de descobri-las. A Lei Universal da Cura que não cura ninguém que precise realmente. Que não tem lugar em nenhuma UTI, emergência ou hospital. Por isto que sempre insisto que a homeopatia é impossível de ser considerada uma especialidade médica, por total falta de contato com a ciência e com a evidência científica! Não são suficientes que os conselheiros tenham reconhecido politicamente isto em 1980 pois não se modifica a ciência e o conhecimento apenas com pareceres e determinação de autoridades! Medicina não é religião e, portanto, inatingível por determinações de autoridades! Em todas as especialidades a ciência é a mesma e o conhecimento comum. O que se consubstancia na inexistência da homeopatia no mundo figurando como tal, tirante o Brasil. Mas “integrada” a todas as práticas anticientíficas que explorarem o sofrimento do paciente sem evidência alguma de vantagem além do efeito placebo! Como defendida pelo nosso articulista no OI. O abandono da medicina baseada em evidências. Por carecerem de qualquer base científica para a sua prática, por desconsiderar o conhecimento completamente, que são preferencialmente praticadas por leigos em todo o mundo! E por isto que a homeopatia era praticada em todos os centros espíritas do país! Pela criação do mesmo inventor das duas práticas anticientíficas do espiritismo e da homeopatia. Veja se algum “espírito desencarnado” se arriscaria a prescrever algum fármaco ou remédio da qual seria necessário conhecimento médico para tal! No entanto, Chico Xavier e Ercílio Maes, grandes apedeutas do continente perdido da Atlântida e das vidas “evoluídas” nos diversos planetas do sistema solar, eram receitistas desta falácia inerte como os demais sectários de Kardec!

Veja que para o mesmo, todas as formas “integradas” são verdadeiras, tirando a prática médica científica. Todas as outras formas de pseudoterapias são aceitas e não precisam de comprovação e eficácia. Apenas o conhecimento médico que o mesmo combate precisa ser relativizado!

Humanizar a sociedade, e a medicina em particular, grande ideal renascentista, não é aderir à ignorância, ao obscurantismo e ao desconhecimento completo dos fenômenos, muito menos a defesa de que tudo é verdadeiro, apenas para tal se tendo fé no escuro e no exercício da vontade. Isto se aplica tanto à ciência, como com a falsa humanização da mídia a servir de escada para o sobrenatural, a falta de crítica e de espírito investigativo que até a alguns anos, era uma característica sua! Hoje a mídia passou a ser a prática do deslumbre e da ocultação das falácias e das perguntas inconveniente para que pratica o embuste consciente ou inocentemente! Como por exemplo, quem determina a prática médica, os médicos em todo o mundo evoluído, ou algum político da OMS? A academia de Ciências por leigos ou os organismos médico-científicos que vivem do estudo da medicina não eventualmente? Parece até as discussões do nosso caos aéreas promovidas por quem não possui nenhum conhecimento da área!

criado por bandarra    21:00 — Arquivado em: Anticiência

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