28.7.07
A medicina e o desejo de ser

Voltar às trevas como humanismo, pode isto?
O Observatório da Imprensa nos brindou há poucas semanas com um texto em defesa do criacionismo, “LEITURAS DE VEJA A darwinlatria continua” e “SUPERINTERESSANTE Revista mata a razão e a paciência” em detrimento do conhecimento científico em relação à evolução das espécies e as teorias da criação da vida. Agora, mais uma vez, nos brinda com um novo texto do homeopata Paulo Rosenbaum! O referido autor por sinal nada se refere à imprensa neste texto, mas a uma pretensa relação da homeopatia com a humanização da prática médica! Ele já havia usado este espaço de observação, “SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS Paralogismos do jornalismo cientifíco” ao confundir artigos jornalísticos em que se referiam a alertas do FDA de baixas diluições, com altas diluições, para alegar algum efeito da homeopatia, visto que efeitos, em trabalhos duplos-cegos, demonstram claramente a inocuidade das apresentações com vistas a tratamentos médicos. Mas em casos de persistência de moléculas de venenos, elas ainda, por efeito molecular, ainda eram passíveis de envenenar as pessoas! Agora com "MÍDIA E SAÚDE Cursos de "humanização da medicina"
Como a astrologia, tão de agrado da mídia passado séculos de desenganos e falsas previsões, persiste o combate na mesma atualmente ao secularismo feito pelos religiosos, o ressurgimento do desconhecimento como argumento combatendo o evolucionismo, e as afirmações anticientíficas em luta permanente contra o conhecimento científico que não lhe é favorável nas suas alegações místicas e miraculosas. Por que alguém não deseja uma medicina baseada em evidências (que os resultados alegados são comprovados, apenas isto)? Por não conseguirem obter isto de forma alguma fora à alegação gratuita! Não existiu maior humanização do que esta na medicina, da qual Samuel Hahnemann (1755-1843) não faz parte por não ter nenhum vínculo com o conhecimento científico, mas sim a um retrocesso místico, ao desenvolver o espiritismo e afirmações anticientíficas nas alegações das causas das doenças como sendo de origens espirituais e devido ao pecado original e contra as leis de Deus! (Claro, do seu Deus)! Discussão por sinal travada por Alan Kardec (Hippolyte Léon Denizard, 1.804 - 1.869) com um homeopata na Revista dos Espíritos de que os preparados eram capazes de curar pecados, o que se mostrava contrariado Kardec que duvidava de que, sem uma reforma moral pessoal, isto tivesse algum valor na visão do Criador!
Allan Kardec, seguidor do espiritismo de Hahnemann
Defende a "medicina baseada em narrativas" e a "medicina centrada no paciente". A medicina de “causos” sem nenhuma ponderação ou medida científica do fenômeno pelo método para descobrir erros, falsas curas, falsos doentes, pois só assim, gotas de água podem se passar por útil! Baseado neste método que a sangria vicejou por milênios e o óleo de rícino fez história! Se o paciente melhorou, nos contamos, se não, ignoramos e escondemos. Devemos voltar às bases irracionais da terapêutica para favorecer apregoadores de milagres?
Assim, não mede esforços o nosso homeopata em tentar confundir o que seja ciência, e o que trata a medicina. Para o mesmo tudo é valido, apenas pelo desejo do praticante inventivo e diletante. Ao lembrar Hipócrates, ignora o valor do mesmo para a moderna medicina científica ao atribuir às doenças e aos doentes causas naturais passíveis de serem entendidas e tratadas por meios racionais ao se descobrir as suas causas e entender os seus tratamentos. Ho bios brakhus, hé de teckhné makré (A arte é longa, a vida é curta) portanto uma pessoa não pode por sí afirmar verdades baseadas apenas em sua opinião pessoal, pois o conhecimento requer muito mais observação e ponderação que o achismo falacioso! “a ocasião fugidia, a experiência enganosa, o julgamento difícil”. Se perdermos a ocasião do diagnóstico tempestivo, da intervenção oportuna, a cura poderá ser jamais conseguida, e o dano, pode vir se tornar permanente, quando não a morte. Portanto, com a saúde dos outros não se brinca, e com a falta de conhecimento não se pode praticar uma medicina responsável como foi feita nestes dois mil anos! Arte livre é bom em pintura, em literatura, mas não no trato com os doentes!
Por exemplo, ao se descobrir que a gota é um acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações, é racional e fácil, principalmente ao nível ambulatorial, se recomendar que o pacientes mantenha uma dieta e use um fármaco que apresente como efeito demonstrando (baseado em evidências e não alegações apenas) a inibição da formação destes cristais! Não existe nada de humanismo mistificar isto criando complexos de culpa e tentando converter o mesmo para práticas religiosas absurdas e fornecer gotas inertes de água, quando tão facilmente, de forma racional e humana de verdade, pode-se contornar o mal sem necessidade de maiores discursos esotéricos e cheio de falsidades.
continua


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