Mordaz

Este espaço tem uma visão crítica da ciência, do humanismo e do laicismo como base para as relações do homem com a natureza e das relações dos homens entre si. Este tripé é a base das relações sociais que devem ser usadas.

23.6.07

Astrologia não é especialidade da Astronomia e nem

DAS ESPECIALIDADES E DAS LEIS!

Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? Comparative study of placebo-controlled trials of homoeopathy and allopathy
Shang A, Huwiler-Müntener K, Nartey L, Jüni P, Dörig S, Sterne JA, Pewsner D, Egger M
The Lancet - Vol. 366, Issue 9487, 27 August 2005, Pages 726-732


Dois textos abordaram, na Folha de S. Paulo, o problema da homeopatia na esfera do atendimento médico no país frente aos riscos de doenças epidêmicas. O primeiro, na quinta-feira, 17 de maio de 2007 no OPINIÃO, pelo Dr Célio Levyman, em que alerta a não indicação da homeopatia na prevenção de doenças, e a do Dr Ariovaldo Ribeiro Filho, quinta-feira, 31 de maio de 2007, defendendo o prática homeopática como sendo uma “especialidade” reconhecida em 1980. Como profissional médico e conhecedor da homeopatia, não posso deixar de tecer importantes comentários dos aspectos abordados!

Primeiro, concordando com o Dr Levymann de que não existe nenhuma indicação para prevenção de doenças epidêmicas a homeopatia. Pelo simples fato de que não existe no mundo nenhuma comprovação para justificar isto! Em nenhum país do mundo se usa a homeopatia para enfrentar as doenças epidêmicas pois já foi provado que não funciona. Portanto, não existe indicação da Organização Mundial da Saúde para que se use homeopatia! A OMS é uma organização política e não científica!

O Dr Ariovaldo aborda a existência do reconhecimento do CFM da homeopatia como especialidade médica em contraprova de uma falta de comprovação de eficácia mencionada pelo Dr Levymann. Mas não são governos, conselhos, grupos religiosos que decidem o que é uma especialidade ou o que seja científico. O Catolicismo tentou na sua história determinar o geocentrismo, a imobilidade da terra, a criação do homem aparte da natureza, a agora, reconhece até mesmo a inexistência do Limbo. As coisas não funcionam assim! Homeopatia não é reconhecida como ciência e nem possui contato com a mesma e com a medicina em todo o mundo. Portanto, não existe a possibilidade científica da mesma ser especialidade da ciência médica por não possuir contatado algum com ela! No mundo a prática por pessoas leigas é feita de forma igual, tão afastado se encontra do conhecimento como ela foi desenvolvida pelo criador do espiritismo, Samuel Hahnemann, que Alan Kardec alega seu orientador para pregar. Não é suficiente os conselheiros tenham reconhecido politicamente isto em 1980 pois não se modifica a ciência e o conhecimento apenas com pareceres e determinação de autoridades! Medicina não é religião e, portanto, inatingível por determinações de autoridades! Em todas as especialidades a ciência é a mesma e o conhecimento comum. Assim, um médico não usa homeopatia para praticar medicina, 95% dos que a praticam, pois não existe nenhuma relação. Mas diz o nosso homeopata que não pode passar sem a ajuda da medicina para poder atender os seus pacientes. O que é evidente! Por sinal, uma associação proibida por Mestre Hahnnemann.

Não é verdade que laboratórios não investem em pesquisa homeopática por motivo “por razões óbvias”! Os trabalhos que pesquisarem desde o início a busca da eficácia demostrou que se trata de um placebo. Não adianta a OMS selecionar 150 entre os milhares que falharam para promover uma falácia. Por que a indústria investira fortunas em algo que nunca irá apresentar algum resultado além deste? Mas laboratórios homeopáticos, como os ricos Laboratórios Boiron, francês, investem em pesquisa, como o caso anedótico do Dr Benveniste e a memória da água alegada na Revista Nature! Tal laboratório produz o alegado medicamento Oscillococcinum, por exemplo, que é um dos mais populares preparados homeopáticos, freqüentemente vendido a 200C – ou seja, com uma parte de princípio ativo para cada 10 na 400 (o número 1 seguido de 400 zeros) partes de solvente. Seu princípio ativo é o fígado de pato. Em fevereiro de 1997, a revista U.S. News & World Report fez as contas e descobriu que foi necessário somente um fígado pato (podendo aproveitar todo o resto) por ano para alimentar todas as vendas, de UR$ 20 milhões, do produto nos Estados Unidos em 1996. Será que este lucro fenomenal não atrai os laboratórios sérios ou os sérios estão atrás de eficácia de seus produtos? Nem tudo na vida é dinheiro, esquece o colega, mas benefícios para os pacientes é que conta antes!

Se realmente faltasse pesquisa em homeopatia, seria um absurdo se usar algo que não se conhece. Mas não existe perigo em placebos que a imensa maioria dos médicos no mundo nem dão importância! Infelizmente o CFM está custando a voltar atrás da sua decisão equivocada que contrapões a prática médica responsável a falácias anticientíficas esotéricas, de grande agrado popular, mas de inutilidade para o tratamento eficaz das doenças! Não existe mais lugar hoje em dia em medicina, que além das bases científicas, as evidências também mostram serem inertes!

Médico , membro e fundador da ONG Movimento Medicina Responsável, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público que trabalha pela democratização do acesso a informação correta!

Anvisa, homeopatia e dengue
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1705200709.htm

A homeopatia como especialidade médica

 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz3105200709.htm

    Movimento Medicina Responsável

criado por bandarra    9:07 — Arquivado em: Anticiência

4 Comentários »

  1. Comentário por Milla apê — 23.6.07 @ 21:06

    oi…amei seu blog, tem td a ver comigo… visita o meu tb.

  2. Comentário por Flávio Mussa Tavares — 25.6.07 @ 23:14

    Caro Paulo Bento Bandarra.
    Fico pensando se o que o Sr. escreve é por cintificidade ou para cumprir o adjetivo de mordaz como denomina seu blog.No nosso mestre Houaiss, o seu codinome significa:
    “que agride ou corrói; cáustico, corrosivo, sarcástico ou excessivamente rigoroso no modo de criticar ou enxergar as coisas.”
    Prefiro acreditar que o Sr. esteja apenas fazendo o gênero pelo qual se qualifica. Sem desmerecer a sua cientificidade, no entanto, quero acrescentar que a maioria dos médicos homeopatas brasileiros é hahnemanniano clássico, mas é também portador de um CRM e tem por norma a conduta ética.

  3. Comentário por Flávio Mussa Tavares — 25.6.07 @ 23:16

    . É nesse contexto que o Prof. Ariovaldo declara dignamente que todos n´so empregamos a farmacologia univewrsalmente aceita, em nossas clínicas. Com a ressalva de que é empregada nos momentos de emergência, em que seria até mesmo antiético utilizar uma possibilidade terapêutica não oficial (ex. meningismo) ou por imperícia homeopática, isto é incapacidade de encontrar o melhor medicamento homeopático para um caso específico.
    Outro quesito a ser abordado é que nenhum médico na atualidade é perito em ciências biológicas. Não somos aptos a descrever mecanismos biológicos e nem mesmo a provar a ação “in vitro” de nossas especialidades farmacêuticas. Nós fomos formados para medicar e temos ao longo de nossa experiência clínmica alcançado uma resolutividade que pode ser medida pelo retorno dos pacientes, sejam particulares, convênios ou mesmo SUS. No meu caso particular, vejo uma crescente aceitação de nossa forma de abordagem clínica e terapêutica, principalmente se encaramos a Homeopatia como Medicina Complementar. Hoje, a grande maioria dos médicos homeopatas somos na verdade clínicos gerais com ênfase em Homeopatia, creio que essa é a denominação certa.
    No mais, desejo ao senhor que tenha um pouco mais de tolerância no seu olhar, pois na sua grande maioria, os homeopatas têm sido os grandes pioneiros na humanização do atendimento médico.
    Um abraço,
    Flávio Mussa Tavares

  4. Comentário por Paulo Bandarra — 28.6.07 @ 21:36

    Caro Flávio Mussa Tavares, data venia, médicos homeopatas no Brasil não podem ser hahnemannianos clássicos, pois possuem formação médica. Portanto, são alopatas por formação e se caracterizam como pseudo-homeopatas! Ser portador de um CRM os fazem não seguir as normas éticas, ao empregarem terapêutica alheia à comprovação científica. Portanto, estão rasgando o código de ética que deveria seguir! É tergiversar alegar que não somos peritos biológicos para descrever coisas que não apresentam efeito nenhum no paciente fora do efeito placebo! O que não mostra eficácia, já esperada pelas práticas anticientíficas do preparo do placebo de diluição infinitesimal , não pode esconder nada mais do que ele realmente é: placebo inerte! Água purificada pela diluição sucessiva. Fato reconhecido através do mundo ao não aceitarem a homeopatia no contexto científico, e principalmente na prática médica responsável! Usar o argumento do charlatão de que os pacientes saem convencidos de tratarem o que não sabem, não é boa prática médica! Serve para curandeiros, mas não para profissionais médicos que desejam o respeito científico dos colegas que fazem a prática médica científica, da qual a homeopatia nunca fez parte. Ao se medir no paciente os tais efeitos em trabalhos duplo-cego, ou triplo-cego, se evidencia o esperado. Nenhum efeito ocorre além do placebo! Muito menos usar placebo por completa teimosia em ignorar a ciência não pode ser um tratamento humanizado! Deixe disto!

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