27.2.07
Qual é a relação entre tabagismo e aquecimento

O tabagismo é a maior causa isolada evitável de doença e morte. Apesar dos malefícios do fumo, o governo continua ignorando as estatísticas mórbidas do problema! Enquanto aumenta os impostos e cria a CPMF para enfrentar as doenças, e entre elas o álcool e o fumo são os grande agentes mórbidos geradores de doenças, sofrimento e mortes, o governo incentiva as indústrias destes tóxicos em produzir cada vez mais!

Indústria de Tabacos e Agropecuária - INTAB, que há 16 anos iniciou suas atividades no então distrito de Trombudo. Hoje, a INTAB está presente em 48 municípios, prestando assistência a mais de 2.500 fumicultores, através de 18 orientadores agrícolas.
Na safra 2005/2006, estimulada pelo Ministério da Agricultura, no Brasil foi em torno de 900 mil pessoas envolvidas na Cadeia Produtiva do Fumo. Destas, 750 mil são membros das 195 mil famílias de fumicultores, com uma media de área de produção em torno de 2 hectares e com uma produção complementar diversificada para a sua segurança alimentar. Existem ainda 39 mil empregados do setor, mais os trabalhadores envolvidos na exportação e os distribuidores de cigarros, adicionando cerca de 100 mil empregos indiretos de prestadores de serviços ao setor. Contudo, o lobby da indústria do fumo fala em 2,4 milhões de empregos, para tanto extrapolam números. Segundo as estimativas do setor industrial, existem 100 mil empregos diretos e 500 mil indiretos. Cerca de 200 mil famílias, com 6 membros cada, em 700 municípios dependem economicamente do cultivo do fumo. Para complementar os números de economicamente dependentes da produção de fumo, o lobby da indústria inclui os donos de pequenos comércios como os bares e as padarias como dependentes da comercialização de cigarros. Apesar da grande participação na produção, os agricultores familiares têm pouca participação nos lucros. A área cultivada passou para 420 mil hectares e a produção ampliou-se para 775 mil toneladas distribuídas em 697 municípios da Região Sul. Portanto, não é uma relação de liberdade que existe entre o fumante e o fabricante. É uma relação de lucro para o governo que estimula a indústria a crescer e vender mais para aumentar os impostos arrecadados! Por isto que a indústria não sofre restrições e juizes não exigem da mesma a responsabilidade das relações de consumo como de outros setores, por exemplo, os hospitalares e indústria de medicamentos!

Eis aqui alguns dados estatísticos para que possamos refletir: A expectativa de vida de um indivíduo que fuma muito é 25% menor que a de um não fumante. Entre as 25 doenças relacionadas ao hábito de fumar, todas são causas de morte: doenças cardiovasculares (43%); câncer (36%); doenças respiratórias (20%) e outras (1%).
Um terço da população do globo fuma, sendo que os outros tipos de drogas somadas não conseguem competir com o cigarro, exceto o álcool. A mortalidade pelo tabagismo está em média 3,5 milhões de pessoas anualmente, sendo que é oito vezes maior que o álcool. Em 1998, 3 milhões de pessoas morreram , no mundo, por causa do tabaco; 2 milhões no primeiro-mundo e 1 milhão no terceiro. Em 2020, a Organização Mundial da Saúde estima que morrerão 10 milhões de pessoas: 3 milhões de pessoas no primeiro e 7 milhões no dito terceiro-mundo. No Brasil morrem 100 mil pessoas por ano de doenças relacionadas diretamente ao fumo. São de 8 a 10 pessoas por hora. 1/3 dos homens e 1/4 das mulheres acima de 15 anos no Brasil são fumantes. 70% adquirem o hábito de fumar entre os 14 e 17 anos. Dos 35 aos 69 anos, 1/3 das mortes no mundo é relacionado ao fumo, que rouba em média de 7 a 10 anos de vida dos fumantes além de piorar a qualidade de vida final!
O fumo materno durante a gravidez tem sido relacionado com o aumento do risco de complicações da mesma e malefícios para o feto: aborto espontâneo (70%), prematuridade (40%), mortalidade perinatal (30%) e baixo peso de nascimento ( cerca de 100%).
As doenças associadas ao uso do cigarro revelam a abrangência dos efeitos nocivos do uso do fumo.
Câncer
O fumo é responsável por 30% das mortes por câncer e 90% das mortes por câncer de pulmão. Os outros tipos de câncer relacionados com o uso do cigarro são: câncer de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo de útero.
Doenças Coronarianas
25% das mortes causadas pelo uso do cigarro provocam doenças coronarianas tais como angina e infarto do miocárdio.
Doenças Cerebrovasculares
O fumo é responsável por 25% das mortes por doenças cerebrovasculares entre elas derrame cerebral.
Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas
Nas doenças pulmonares obstrutivas crônicas tais como bronquite e enfisema 85% das mortes são causadas pelo fumo.
Outras doenças que também estão relacionadas ao uso do cigarro e ampliam a gravidade das conseqüências de seu uso são:
Aneurismas arteriais
úlceras do trato digestivo
infecções respiratórias
Estudo realizado na região metropolitana de Belo Horizonte, encontrou relação positiva entre tabagismo domiciliar e mortalidade infantil por pneumonia, diarréia e desnutrição. Nos domicílios com 1 a 2 fumantes, a mortalidade foi de 1,9 vezes maior e, naqueles com 3 e mais fumantes, foi 3,6 vezes maior do que nas residências sem fumantes.
Das 4.720 substâncias contidas no cigarro cerca de 60 a 70 são cancerígenas. O fumante passivo tem um risco 30% maior de morrer por doença cardiovascular ou câncer de pulmão do que quem não está exposto diariamente à fumaça dos cigarros. Nas fumantes a menopausa se antecipa cerca de 5 anos.
A nicotina é a grande responsável pela sensação de impacto eufórico que se segue a uma tragada. Bastam de 7 a 8 segundos para o fumante sentir seus efeitos estimulantes. A quantidade de nicotina de apenas um cigarro é suficiente para matar uma pessoa se for injetada na veia.
O consumo de cigarros vem crescendo 2,1% ao ano. O governo fomenta fortemente o setor através das várias áreas dos Ministérios da Agricultura, Indústria e Comércio subsidiando o crescimento do setor. Seriam diferente as atitudes em outros setores quando ignoramos as mortes e as doenças crônicas que já ocorrem agora para manter empregos?
Atualmente o tabagismo representa um complexo desafio de saúde pública. Embora haja maior conscientização das pessoas em relação aos malefícios do fumo, elas continuam fumando, ignorando as estatísticas mórbidas desse grave problema. É necessário que a sociedade e os governantes tomem providências urgentes no sentido de prevenir as funestas conseqüências que advém do hábito de fumar, tanto na saúde como nos cofres públicos. Já se sabe por exemplo que se gasta muito menos em campanhas de prevenção do que nos tratamentos aos doentes com bronquite crônica, enfisema e câncer de pulmão, só para citar algumas patologias.
Qual a relação? A inércia dos governos frente as necessidades econômicas que despreza a vida das pessoas como objetivo de estado!



criado por bandarra
17:40 — Arquivado em: 





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