18.12.06
A recusa de prática irracional na França já em 35
OPINIÃO DA ACADEMIA FRANCESA DE MEDICINA EM 1835
http://www.homeoint.org/books3/hahnemann2/his12.htm#59
Hahnemann obtém autorização para exercer na França
Em 1835, quando Hahnemann ainda se encontrava em Kötten, Alemanha, durante o governo de Luís Filipe I de Orleans, o "Rei Burguês", monarca constitucional e liberal da nobreza francesa, se dirigiu ao Ministro de Instrução Pública de França um memorando solicitando seu apoio favorável ao plano da Societé Gallicane de Homeopatie que desejava instalar dispensários homeopáticos em Paris. Hahnemann havia casado com Melanie d’Hervilly, filha adotiva do Ministro da Justiça, e Chefe do Governo. O respectivo Ministro de Instrução quis ouvir a opinião da Academia de Medicina e esta enviou a seguinte manifestação:
“Senhor Ministro: a homeopatia que se apresenta neste momento como uma novidade e que pretende revestir-se de prestígio, não é coisa nova nem para a ciência nem para a arte.” “Fazem mais de 25 anos que vaga sem destino, primeiramente na Alemanha, em seguida na Prússia, posteriormente na Itália, atualmente na França, procurando por todas partes, sempre em vão introduzir-se na medicina.”
“A Academia se ocupou dela, muitas e prolongadas vezes. É lamentável que alguns de seus partidários não haviam tido o cuidado e dever, mais ou menos sério de aprofundar-se nas suas bases, sua marcha, seus processos e seus efeitos.”
“Entre nos outros, ademais disto, a homeopatia foi submetida aos rigorosos métodos da lógica e toda lógica sinaliza no sistema uma pluralidade destas oposições formais com as verdades melhores estabelecidas. Um grande número dessas contradições surpreendentes, muitos destes absurdos palpáveis que desmoronam inevitavelmente todos os sistemas falsos aos olhos dos homens esclarecidos, não constitui, entretanto, suficiente obstáculo à credulidade das pessoas.”
“Sofreu também entre nós, a homeopatia a experiência dos fatos; ela passou pelo crivo da experimentação e aqui, como em outros lugares, a observação fielmente levada a efeito, proporcionou as oposições mais categóricas, as mais severas, porque se se preconizam alguns efeitos de curas homeopáticas, se sabe entretanto, que as preocupações de uma imaginação fácil, de um lado e, de outra parte as forças curativas do organismo recuperam o justo título que as pertencem no êxito. Pelo contrário, a observação constatou os perigos mortais de semelhantes procedimentos, e os casos freqüentes e graves de nossa arte, onde o médico pode fazer tanto mal e não menor dano não atuando, nada mais, em contra do bom sentido.”
“A razão e a experiência estão, por tanto, reunidas para repelir com todas as forças da inteligência semelhante sistema e para dar um conselho de abandoná-la a si mesmo, deixando-a aos seus próprios recursos.”
“É no interesse d verdade, e também para sua vantagem, que os sistemas, sobre tudo na medicina, não querem ser atacados e defendidos, e perseguidos e protegidos pelo poder. Uma sadia lógica disto, é a mais segura perícia. Seus juizes naturais são os fatos, sua infalível pedra de toque é a experiência. Forçoso é, portanto, abandoná-la a livre ação do tempo. Arbítrio soberano destas matérias, único justiceiro das teorias sadias, único que assegura estabilidade na ciência às verdades que devem constituir o domínio.”
“Agregamos que a previdência que é também a agudeza de espírito de toda administração pública dirija imperiosamente uma semelhante determinação.”
“Cada um de nós, conhece suficientemente, em nossos dias, o poder dos precedentes; podemos por isso prever e calcular um perigo de tal espécie.”
“Depois dos dispensários homeopáticos, serão solicitados para o magnetismo animal, para o brownismo, e assim em diante para todas as concepções do espírito humano. A administração apreciará, como nós, as conseqüências de semelhante conduta.”
"Por estas considerações e por estes motivos, a Academia julga que o governo deve recusar a concessão da solicitação que lhe foi feita a favor da homeopatia.”
Este parecer representa a opinião da maioria da Academia. Não foi unânime, contra dela votarão dois acadêmicos, cujos nomes desgraçadamente não nos foi possível obter. Entre 100 membros, 2 votarão contra … duas vozes que defendiam a liberdade científica.
Contrariando a academia o Ministro François Pierre Guillaume Guizot (1787-1874) do partido da resistência, conservador, defende: "Hahneman é um sábio de grande mérito. A ciência deve ser livre a todos. Se a Homeopatia é uma quimera ou um sistema sem valor útil, ela cairá por si mesma. Se ao contrário, ela for um progresso, se espalhará a despeito de suas medidas de prevenção e a Academia deve assim desejar, antes de tudo, pois é sua missão avançar a ciência e encorajar as descobertas".
“Os homeopatas tiveram a última palavra. O Senhor Hahnemann recebeu a autorização de exercer sua arte de dar suas medicações e fazer escolas. É uma doutrina igual ao do Senhor Guizot. Sua doutrina consiste que ele prescreve os medicamentos aos seus pacientes em doses igualmente pequenas que a doutrina do ministro dá a liberdade do país.
Dizem também que a nova medicina vende de forma cara seus conselhos, falam de dez luises de ouro o custo de cada consulta. É evidente que dentro deste método de tratamento os extremos se encontram.” (Uma alusão aos altos custos com o mínimo benefício).
O que espanta que um CFM tenha caído nesta falácia, fato sem paralelo no mundo desenvolvido, após mais de 200 anos de falta total de evidências de uma prática esotérica. Se naquela época foi recusado, com o arsenal para testar hipóteses precárias, aumenta a falha quando hoje se têm todos os meios científicos para decidir e a história para nos ensinar.


criado por bandarra
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Comentário por Vellker — 20.12.06 @ 23:51
Velho Mordaz, agradeço pelo esclarecimento sobre a homeopatia. Nunca usei nenhuma substância dessa dita medicina e nem imaginava que já era combatida desde 1835. E com tantos livros escritos a favor, parecia uma coisa até útil. Bom seu esclarecimento. Quem lê fica livre de cair nessa estória. Um grade abraço. Vellker
Comentário por Vellker — 24.12.06 @ 20:51
Caro Mordaz, fazem falta seus textos. Mesmo sendo Natal com a famÃlia reunida, escreva mais um do cenário dos dias de hoje. Mas antes, desejo um Feliz Natal a você e sua famÃlia. Um abraço. Vellker