Mordaz

Este espaço tem uma visão crítica da ciência, do humanismo e do laicismo como base para as relações do homem com a natureza e das relações dos homens entre si. Este tripé é a base das relações sociais que devem ser usadas.

12.11.09

A Volta da justiça do oráculo

12 de novembro de 2009 | N° 16153
PROVA ACEITA

Justiça valida carta espírita

A carta psicografada usada na defesa de uma mulher acusada de mandar matar um tabelião em 2003 foi validada pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) ontem.

Incluído no julgamento que absolveu Iara Marques Barcelos em 2006, o documento foi motivo de controvérsia. À época, a 1ª Vara do Júri de Viamão permitiu que as quatro frases supostamente transmitidas pela própria vítima, o tabelião Ercy da Silva Cardoso, fossem lidas ao júri. Na carta, o tabelião chamava a acusada de amiga e dizia estar triste com a situação. Ercy foi executado com dois tiros no dia 1° de julho daquele ano. Cinco dos sete jurados consideraram a ré inocente.

A utilização do documento dividiu juristas após o julgamento. Descontente, a assistência da acusação entrou com recurso, questionando o uso do material.

Ontem, o TJ-RS decidiu não haver motivos para que fosse determinado novo julgamento. O desembargador-relator, Manuel José Martinez Lucas, afirmou que o exercício da religião é protegido constitucionalmente e cada um dos jurados pôde avaliar os fatos.

Para o desembargador Marco Antonio Ribeiro de Oliveira, que presidiu a sessão, havia provas para a absolvição e condenação, cabendo aos jurados decidirem. Na mesma linha, o desembargador José Antonio Hirt Preiss ressaltou que o júri entendeu não haver provas para a condenação.

Embora ainda haja possibilidade de recurso, a decisão foi comemorada pelo advogado de defesa, Lúcio de Constantino.

Enquanto na Europa a Itália resiste em retirar os crucifixos das salas de aulas públicas, herança da Concordata entre a Igreja Católica e o Ditador Benito Mussolini (na Alemanha a Igreja faria, em 1933, uma concordata com Adolf Hitler com os mesmos fins), no Brasil a justiça mantém os mesmos nos tribunais. Fruto da enorme presença de magistrados religiosos e maçons nos tribunais.

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27.2.09

Muita mentira ainda se esconde

27/02/2009 - 02h45

Descoberta de vala comum mostra que alemães também foram vítimas na 2ª Guerra

The New York Times
Nicholas Kulish
Em Malbork, Polônia

A lama úmida se desprende facilmente do longo fêmur que se projeta de uma parede de terra da trincheira, ao leve toque da ponta da pá. Além da vala comum repleta dos esqueletos de cerca de 2 mil pessoas, supostamente alemães que morreram nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, se encontra a fortaleza de tijolos vermelhos dos Cavaleiros Teutônicos, que já foi um dos maiores marcos da Alemanha até o país ser forçado a ceder o território para a Polônia após a guerra.

Antes disso, Malbork era a cidade alemã de Mariemburgo, e as autoridades acreditam que os homens, mulheres e crianças enterrados juntos aqui eram habitantes da cidade, juntamente com refugiados do leste, como de Koenigsberg, atualmente Kaliningrado, que fugiam da devastação do contra-ataque soviético, que posteriormente levaria à captura de Berlim. Várias dezenas de crânios possuem buracos de bala, o que levou à especulação de um massacre quando os primeiros corpos foram encontrados em outubro passado, enquanto a conversa agora se concentra em frio, fome e acima de tudo tifo, que assolava na época.

  • Piotr Malecki/The New York TimesCerca de duas duas mil pessoas teriam sido enterradas na vala comum da cidade de Malbork
  • Piotr Malecki/The New York TimesDescoberta da vala veio à tona por acidente, quando equipes de construção preparavam o terreno para levantar um hotel de luxo
  • Piotr Malecki/The New York TimesÉ improvável que a identidade exata das vítimas venha a ser conhecida, mas arqueólogo diz que todos seriam alemães

A Europa conta com uma abundância de valas comuns, um reflexo da escala extraordinária da violência do século passado. Mas por todo o continente o público está mais acostumado aos alemães como perpetradores do que vítimas, e talvez em nenhum outro lugar isto seja mais verdadeiro do que na própria Alemanha.

Mas há sinais nos antigos territórios alemães, como Malbork, de que uma conscientização do sofrimento humano, em particular dos civis, está começando a ganhar força, equilibrando um pouco o antigo rancor de culpa coletiva em relação aos agressores alemães, que começaram a guerra.

“Nós não podemos ficar indiferentes ao que aconteceu aqui”, disse Radoslaw Gajc, 30 anos, nascido em Malbork e o funcionário público responsável pela remoção dos corpos. “Claramente é muito importante, e estamos tratamos disto com muita seriedade e respeito”, ele disse, acrescentando que ultimamente vem estudando as etapas finais da guerra.

“É algo que realmente despertou muito interesse no público polonês, e mesmo muita compaixão pelas pessoas que morreram”, disse Fritz Kirchmeier, porta-voz da Comissão Alemã de Sepulturas de Guerra, que viajou com um colega para Malbork para discutir com as autoridades municipais, na quinta-feira (26), os planos para mover os corpos para um cemitério existente ou a construção de um cemitério na cidade. Em novembro, a autoridade alemã de sepulturas de guerra começou a enterrar os soldados alemães mortos na Segunda Guerra Mundial em um cemitério na cidade de Cheb, na República Tcheca.

Kirchmeier, que há 16 anos faz parte do grupo que cuida dos túmulos de cerca de 2 milhões de mortos na guerra em mais de 800 cemitérios, chama a compaixão local de um novo fenômeno. “Para nós, é um desdobramento que vemos de forma positiva, e um que ainda não era possível há apenas 10 anos”, disse.

Isto não quer dizer que a questão do sofrimento alemão não continue sendo um assunto politicamente delicado. Os governos alemão e polonês estão novamente envolvidos em uma disputa em torno dos planos para uma exposição permanente a respeito do destino dos alemães que foram expulsos de seus lares. A disputa é considerada importante o bastante para um porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel, ter dito que ela provavelmente discutirá o assunto com o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, quando se encontrarem em Hamburgo.

Após a Segunda Guerra Mundial, mais de 12 milhões de pessoas de etnia alemã, e segundo algumas estimativas até 16,5 milhões, foram deslocadas por toda a Europa central e oriental, e mais de 2 milhões teriam morrido no processo frequentemente violento. A vala comum daqui foi noticiada pela imprensa alemã, mas do modo contido habitual, porque as discussões sobre o sofrimento alemão provocam fortes respostas entre as vítimas da agressão de Hitler e um sabor de revanchismo para um público sensível ao emaranhado complexo de lembrança e culpa.

“Tudo depende desta noção de culpa universal, de que as atrocidades de Hitler foram tão grandes que nada pode ser dito em defesa dos alemães”, disse Giles MacDonogh, um historiador britânico e autor do livro “After the Reich” (2007), que detalhou o sofrimento da população alemã durante a ocupação do pós-guerra pelos aliados. “Ainda há este sentimento de que não é intelectualmente respeitável, não é socialmente respeitável, se estender nestes assuntos.”

A vala comum em Malbork veio à tona por acidente, quando equipes de construção preparavam o terreno para levantar um hotel de luxo. A construção faz parte de um plano maior de desenvolvimento da área, incluindo a construção de uma nova fonte moderna, completa com música e luzes, que faz com que os operários quebrem as ruas do centro, a uma curta distância da vala comum.

De fato, os corpos não estavam escondidos em uma floresta ou campo agrícola distante da cidade, mas bem no seu centro histórico, bem em frente a uma das maiores atrações turísticas da Polônia. Inicialmente os operários encontraram apenas aproximadamente 70 esqueletos, que foram enterrados em um cemitério local. Então uma tempestade arrastou um volume maior do solo, revelando vários ossos adicionais, incluindo outro crânio. Uma busca sistemática pelos restos mortais teve início, que ainda prossegue e até esta semana já encontrou mais de 1.900 corpos.

Como os mortos foram enterrados nus - com apenas dois pares de óculos sendo os únicos objetos pessoais encontrados entre todos os corpos na vala - é improvável que a identidade exata das vítimas venha a ser conhecida. Mas o arqueólogo local encarregado do sítio, Zbigniew Sawicki, disse em uma entrevista que quase com certeza a maioria dos corpos era de alemães.

A maioria das vítimas parece ser civil, não soldados, ele disse, e havia poucos poloneses vivendo na área durante a guerra; eles vieram depois, a maioria à procura de novos lares por ter sido expulsa de suas terras naquele que era o leste da Polônia antes da guerra, e que agora é o oeste da Ucrânia. “As pessoas aqui têm a mesma história, a mesma experiência de deslocamento, de serem expulsas de sua terra natal”, disse Piotr Szwedowski, uma autoridade municipal.

Sentado em um carro, com os limpadores de pára-brisa removendo a mistura de neve e chuva que caía no local da vala comum, Szwedowski, 43 anos, que tem avó alemã, disse que há uma coisa da qual sempre tenta se recordar.

“Nós esquecemos que por trás de cada um deles havia uma pessoa”, ele disse, “uma pessoa com corpo e alma”.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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23.2.09

A verdadeira DEMOCRACIA é laica

Eles ainda acham que foi pouco

Mistura desastrosa

Causa-me admiração a mistura que o movimento democrático do Site do Puggina esteja fazendo misturando proselitismo cristão. E para tal virou um púlpito a vociferar contra a filosofia e a ciência em prol de um pensamento único. Mil anos de trevas, da idade média. Nove cruzadas ensangüentaram a Europa e a terra santa. As origens da Inquisição remontam a 1183, na averiguação dos cátaros de Albi, no sul de França por parte de delegados pontifícios, enviados pelo Papa. Indo até o início do século XX com o Index Librorum Prohibitorum que foi criado, em 1559, pela sagrada congregação da Inquisição (mais tarde chamada de Congregação para a Doutrina da Fé). O índice foi atualizado regularmente até a trigésimasegunda edição, em 1948, tendo os livros sido escolhidos pela congregação ou pelo papa. As Guerras Religiosas atormentaram os seres humanos na Europa provocada pelo cristianismo, o que resultou a fuga dos peregrinos e os puritanos para fundar na colônia americana, uma nação em que a liberdade estaria acima da fé. A intolerância religiosa, a sua legitimação das monarquias, os autos de fé, resultou na explosão da revolução francesa pela libertação da opressão do cristianismo de forma violenta, criando finalmente os ideais de liberdade, fraternidade e igualdade que o cristianismo negara por 1 600 anos.

Não existe, portanto, correlação com democracia e o cristianismo. Isto é um blefe e um erro grosseiro de cristãos querendo novamente se apropriar da hegemonia do estado e do espaço público para trazerem de volta a intolerância religiosa. Não aprenderam com a história, não aprenderam com o islã que usa o mesmo método, como identificou Manuel II Paleólogo (1350 – 1425). Nada entenderam do totalitarismo católico, cristão e do nacional socialista (cristão) e no internacional socialismo ateu.

Democracia nunca foi ideal cristão, mas de pagãos gregos e romanos. Estes que descobriram este sistema de convivência da cidadania e de coexistência pacífica entre os credos no Panteão Romano ecumênico destruído no primeiro momento pelo cristianismo intolerante. Da importância da filosofia e do livre saber. Valores redescobertos pelo iluminismo contra a religiosidade cega do cristianismo. Passado dois mil anos e ainda não aceitam o diferente, o conhecimento científico e a livre filosofia. Lutam para voltar ao poder com seu credo em detrimento da real democracia e do estado laico pela qual conspiram para destruir tirando novamente o homem do seu espaço para colocar apenas o “seus” Deus.

Liberdade é a melhor de todas as coisas a ser conquistada, a verdade, lhe digo então: nunca viva com os grilhões da escravidão” Sir William Wallace, o coração valente.

“Proteger, preservar e, onde for possível, ampliar a liberdade efêmera e limitada do individuo face à ameaça crescente a essa liberdade, é uma tarefa muito mais urgente que sua negação abstrata, ou o pôr em perigo essa liberdade com ações que não tem esperança de sucesso”. Max Horkheimer (1895 – 1973).

Bertrand Russel - Por Que Nao Sou Cristao.

criado por bandarra    9:22 — Arquivado em: Anticiência, Falsidades, Fundamentalismo, Intolerância, Pseudociência

13.2.09

Sem fórmulas mágicas alternativas

Multivitaminas não reduzem risco de doenças, diz estudo

13 de fevereiro de 2009 • 16h15 • atualizado às 16h43

Muitas mulheres usam multivitaminas depois da menopausa por acreditarem que elas ajudam a prevenir doenças vasculares ou câncer, mas um estudo de grande porte concluiu que os suplementos não fazem nada nesse sentido.

Estudos anteriores apresentaram resultados contraditórios, com alguns sugerindo que os suplementos multivitamínicos estão associados a uma redução no risco de alguns cânceres, e outros constatando efeito limitado ou nulo.

Para as novas constatações, publicadas na edição de fevereiro da Archives of Internal Medicine, os pesquisadores analisaram dados de 68.132 mulheres que participaram de um teste clínico e de 93.676 mil que participaram de um estudo de observação. Eles acompanharam as mulheres por em média oito anos, a fim de averiguar os efeitos de saúde das multivitaminas.

Depois de ponderar os resultados levando em conta idade, nível de atividade física, histórico familiar de câncer e muitos outros fatores, os pesquisadores constataram que os suplementos não tinham efeito sobre o risco de câncer de mama, câncer de intestino e reto, câncer endométrico, câncer de pulmão, câncer ovariano, ataques cardíacos, derrames, coágulos sanguíneos e mortalidade.

Os cientistas reconhecem que as mulheres que tomam vitaminas também se envolvem em outros comportamentos saudáveis, e que pode haver variáveis desconhecidas que afetem os resultados.

“Os consumidores gastam dinheiro em suplementos vitamínicos supondo que isso melhorará sua saúde, mas não há prova disso”, disse Marian Neuhouser, diretora do estudo e epidemiologista nutricional do Centro Fred Hutchinson de Pesquisa do Câncer, em Seattle. “Comprar mais frutas e legumes poderia ser uma escolha melhor”.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
criado por bandarra    19:34 — Arquivado em: Falsidades, Pseudociência, Saúde

Evolução incontestável

Cientista propõe fim do “culto a Darwin”

12 de fevereiro de 2009 • 18h46 • atualizado às 18h46
“Você só quer saber de atirar, brincar com os cachorros e apanhar ratos”, disse Robert Darwin ao seu filho, “e será uma desgraça para você mesmo e para toda sua família”. Mas o menino irresponsável parece estar por toda parte. Charles Darwin recebe tanto crédito que não conseguimos distinguir entre ele e a evolução.

Equiparar a evolução a Charles Darwin significa ignorar 150 anos de descobertas, entre as quais a maior parte daquilo que os cientistas compreendem sobre a evolução.

Por exemplo: os padrões de hereditariedade de Gregor Mendel (que deram à idéia de seleção natural de Darwin um mecanismo - a genética - pelo qual ela poderia funcionar); a descoberta do ADN (que propiciou um mecanismo à genética e permitiu que víssemos as linhagens evolutivas); a biologia do desenvolvimento (que propicia um mecanismo ao ADN); estudos documentando a evolução na natureza (que converteram hipóteses em fatos observáveis); o papel da evolução na medicina e na doença (que propicia relevância imediata ao tópico); e muito mais.

Ao propor o ‘darwinismo’, até mesmo os cientistas e os autores de textos científicos perpetuam a impressão de que a evolução gira em torno de um homem, um livro, uma teoria. Lin Chi, um mestre budista do século 9, disse que “se você encontrar o Buda na estrada, deve matá-lo”.

O ponto é que fazer de um grande professor um fetiche sagrado ignora a essência de seus ensinamentos. Assim, chegou a hora de matar Darwin, para nós.

Que toda a vida está relacionada por ancestrais comuns e que as populações mudam de forma ao longo do tempo são a base pictórica e as pinceladas finas da evolução.

Mas Darwin chegou tarde à festa. Seu avô e outros acreditavam que novas espécies evoluíssem. Fazendeiros e criadores de animais desenvolviam novas variedades de animais e plantas determinando quais espécimes sobreviveriam para procriar, o que ofereceu uma idéia já estabelecida a Charles Darwin. Tudo que Darwin percebeu foi que a seleção deveria funcionar também na natureza.

Em 1859, as percepções e a experiência de Darwin se transformaram em “Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural, ou A Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Sobrevivência”. Ele escreveu livros fundamentais sobre orquídeas, insetos, cracas e corais. Descobriu como se formam os atóis, e porque eles se localizam nos trópicos.

O imenso gênio de Darwin merece crédito. Nenhuma outra mente se movimentou com tamanha liberdade, de forma tão ampla ou com tanto frescor por sobre as colinas e vales da existência. Mas existe um limite para o crédito que se pode atribuir a ele. Atribuir a evolução a Darwin ignora os limites que existiam em sua era e todos os progressos realizados subsequentemente.

A ciência era primitiva, na era de Darwin. Os navios não tinham motores. Só em 1842, seis anos da viagem de Darwin no Beagle, Richard Owen cunhou o termo ‘dinossauro’.

Darwin já era adulto antes de os cientistas começarem a debater se os germes causavam doenças e se os médicos deveriam limpar seus instrumentos.

Na Londres da década de 1850, John Snow combatia a cólera sem saber que era uma bactéria que a causava. Apenas em 1857 Johann Carl Fuhlrott e Hermann Schaaffhausen anunciaram que uma ossada incomum encontrada no vale de Neander, Alemanha, talvez representasse os restos de uma raça humanóide muito antiga. Em 1860, Louis Pasteur executou experiências que negavam a ‘geração espontânea’, a idéia de que a vida emergia continuamente de coisas não vivas.

A ciência avançou. Mas a evolução ocasionalmente parece amarrada demais ao seu fundador. Não definimos a astronomia como ‘copernicismo’, e nem chamamos a gravidade de ‘newtonismo’.

“Darwinismo” implica uma ideologia que adere aos ditames de um único homem, como o marxismo. E “ismos” (capitalismo, catolicismo, racismo) não são ciência.

“Darwinismo” implica em que os cientistas biológicos “acreditem” na teoria de Darwin. É como se, desde 1860, os cientistas tivessem apenas acenado com a cabeça em concordância com as teorias de Darwin, em lugar de desafiar e testar suas idéias ou de acrescentar imensos conhecimentos ao trabalho que ele desenvolveu.

Usar frases como “seleção darwinista” ou “evolução darwinista” implica que deva existir outra espécie de evolução em operação, um processo que poderia ser descrito com outro adjetivo.

Por exemplo, física newtoniana distingue a física mecânica que Newton explorou da física quântica subatômica. Assim, evolução darwinista suscita uma questão: qual é a outra evolução?

E eis que esse vazio é ocupado pelo design inteligente. Não chego a afirmar que o darwinismo deu origem ao “criacionismo”, ainda que os “ismos” impliquem equivalência.

Mas o termo darwinista montou o palco no qual o design inteligente agora pode aproveitar os holofotes.

Charles Darwin não inventou um sistema de crença. Ele tinha uma idéia, não uma ideologia. A idéia gerou uma disciplina, e não discípulos. Ele passou mais de 20 anos recolhendo e avaliando provas e implicações de criaturas similares mais diferentes separadas no tempo (fósseis) e no espaço (ilhas). Isso é ciência.

E é por isso que precisamos nos livrar de Darwin
Quase tudo que compreendemos sobre a evolução surgiu não de Darwin mas depois dele. Ele nada sabia de hereditariedade ou genética, dois componentes fundamentais no estudo da evolução. E esta não era nem mesmo idéia original dele.

O avô de Darwin, Erasmus, acreditava que a vida houvesse se desenvolvido de um ancestral único. “Será que podemos conjeturar que uma e uma só espécie de filamentos vivos foi a causa de toda vida orgânica?”, ele questionava em “Zoonomia”, de 1794. Mas não foi capaz de descobrir de que forma isso poderia ter decorrido.

Charles Darwin saiu em busca da explicação. Refletindo sobre os métodos de plantio seletivo dos agricultores, e considerando a elevada mortalidade das sementes e dos animais selvagens, ele determinou que as condições naturais agiam como filtro para determinar que indivíduos sobreviviam para criar mais indivíduos como eles. Darwin definiu esse filtro como seleção natural.

O que Darwin tinha a dizer sobre a evolução basicamente começa e acaba logo ali. Darwin deu um passo minúsculo para além do que era de conhecimento comum. Mas porque ele percebeu - corretamente - um mecanismo pelo qual a vida se diversifica, sua percepção desenvolveu um imenso poder.

No entanto, ele não foi o único. Darwin vinha incubando sua tese há duas décadas quando Alfred Russell Wallace escreveu para ele do Sudeste Asiático, delineando a mesma idéia, que ele desenvolvera de forma independente. Temendo que ele perdesse a primazia, os colegas de Darwin organizaram uma apresentação pública na qual ambos os cientistas receberam crédito por uma idéia cuja hora havia chegado, com ou sem Darwin.

Darwin pode ter escrito a obra-prima. Mas havia pontos fracos. Variações individuais ofereciam a base da idéia, mas o que criava essas variações? Pior, as pessoas imaginavam que traços de ambos os pais se combinassem nos descendentes - isso não significaria que um determinado traço viesse a desaparecer por diluição depois de algumas gerações? Porque Darwin e seus colegas eram ignorantes da genética e dos mecanismos da hereditariedade, não conseguiam compreender plenamente a evolução.

Gregor Mendel, um monge austríaco, descobriu que, em pés de ervilha, a herança de traços individuais seguia padrões determinados. Apenas depois que a genética redescoberta por Mendel encontrou a seleção natural de Darwin, na síntese moderna dos anos 20, a ciência deu um gigantesco passo à frente quanto à compreensão da mecânica da evolução. Rosalind Franklin, James Watson e Francis Crick propiciaram o próximo salto: o ADN, a estrutura e mecanismo da variação e da hereditariedade.

O intelecto e presciência de Darwin, bem como sua humildade (é sempre aconselhável perceber claramente a nossa ignorância), espantam ainda mais à medida que os cientistas esclarecem, em detalhes que ele jamais imaginou, o quanto suas idéias estavam certas.

Mas nossa compreensão de como a vida funciona, depois de Darwin, não poderá mergulhar na piscina comum das idéias até que ponhamos fim ao darwinismo como culto. Só quando reconhecermos plenamente o século e meio de contribuições valiosas acrescentadas poderemos apreciar plenamente tanto o gênio de Darwin quanto o fato de que a evolução é a força propulsora da vida, com ou sem Darwin.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
criado por bandarra    14:33 — Arquivado em: Cidadania, humanismo, laicismo, preservação

8.2.09

A proteção que Deus não dá

Número de mortos em incêndios na Austrália sobe para 131

09 de fevereiro de 2009 • 06h21 • atualizado às 09h01

Autoridades na Austrália disseram que o número de mortos nos incêndios florestais no Estado de Vitória, no sul do país, subiu para 131 e deve aumentar ainda mais. O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, em visita à região, disse que os incêndios estão provocando um massacre.

Segundo a polícia, alguns incêndios foram provocados deliberadamente e estão sendo investigados. Dezenas de milhares de bombeiros, ajudados por soldados, estão combatendo o que as autoridades chamaram de os piores incêndios florestais da história da Austrália.

As chamas destruíram mais de 700 casas no Estado de Victoria, segundo dados divulgados pelas autoridades neste domingo. Algumas pessoas morreram trancadas em seus carros, enquanto tentavam fugir dos incêndios.

Cerca de 14 mil casas estão sem eletricidade. Os fogos teriam se espalhado por mais de 300 mil hectares de florestas, plantações e cidades - uma área equivalente a 408 campos de futebol e um pouco maior que Luxemburgo.

Duas cidades do Estado, Marysville e Kinglake, foram quase completamente incineradas. Em Kinglake, seis corpos foram encontrados em um carro. Em Marysville, onde moram cerca de 500 pessoas, os bombeiros afirmam que restou apenas um prédio.

Uma moradora da cidade de Strathewen disse à rádio local ABC que muitas pessoas presenciaram “cenas de terror” enquanto enfrentavam as chamas.

“A escola se foi, a prefeitura se foi… algumas pessoas não conseguiram sair de lá. Nós perdemos amigos”, disse a moradora. Darren Webb-Johnson, morador de Kingslake, disse à rede de televisão Sky TV: “a estação de serviços se foi, o armazém do outro lado da rua se foi, a tubulação explodiu por toda a parte e 80% da cidade foi totalmente queimada”.

Altas temperaturas e o ar seco estão ajudando a espalhar o fogo, mas as autoridades afirmam que muitos incêndios foram causados deliberadamente por criminosos. Na região de Gippsland, os incêndios foram controlados, mas a polícia afirma que um incendiário começou novos focos.

Segundo o correspondente da BBC em Sydney, Nick Bryant, as temperaturas caíram um pouco e os fortes ventos também perderam intensidade. Mesmo assim, o governador de Victoria, John Brumby, disse que os incêndios devem continuar nesta semana.

Austrália - 8h40 - A igreja de St. Andrew foi destruída pelo fogo na cidade de Kinglake. Pelo menos 131 pessoas morreram e mais de 700 casas foram destruídas devido aos incêndios florestais que atingem o Estado de Victoria

criado por bandarra    10:02 — Arquivado em: Falsidades

5.2.09

Desenhista incopetente ainda…

“Homem-árvore” indonésio será operado novamente

Um indonésio de 37 anos, que sofre de uma grave doença que transformou suas mãos e pés em aglomerados de verrugas semelhantes a raízes de árvores, voltou a piorar quatro meses depois de receber alta de um tratamento médico. Dede Koswara deve passar por novas operações até o final de dezembro ou no início de 2009 para tentar remover e reduzir as verrugas.

Desenhista incopetente

Desenhista burro

criado por bandarra    18:27 — Arquivado em: Falsidades

E a liberdade, como fica?

O Papa mais uma vez na mídia.

O Papa mais uma vez está na mídia fazendo das suas. Engraçado como pessoas não aceitam evidências científicas e as negam insistentemente, mas acreditam em livros escritos há cinco mil anos por pessoas muito mais limitadas em informações, cultura e formação. Pois não é que o Papa Católico, diz a Santa Sé agora, não sabia nem da militância como da manifestação púbica dias antes do pontífice levantar a excomunhão de quatro bispos lefebvrianos, dentre eles Richard Williamson, que nega a existência do Holocausto-Shoá e de câmaras de gás nos campos de concentração nazistas!

O Papa Ratzinger exige agora a retratação do bispo que nega o Holocausto. Mas ao que parece a suspensão da excomunhão não foi pedida, pois não faria sentido alguém que saiu voluntariamente se arrepender a divergência e não acatar a determinação antes de solicitar perdão. Foi um ato unilateral do Santo Padre.

Angela Merkel, chefe de governo da Alemanha não se conteve e, em audiência pública, afirmou não ter o papa Ratzinger, até o momento, dado, no seu pontificado,  esclarecimentos claros sobre a  posição da Igreja com relação ao Holocausto, depois do levantamento da excomunhão de Williamson. A chanceler Merkel ressaltou que o papa Ratzinger deveria claramente afirmar a existência do Holocausto e  destacar não ser possível negá-lo. Até o momento, segundo Merkel, o papa Ratzinger não prestou esclarecimentos suficientes e o fato Williamson pode parecer ambigüidade papal.

A fala de Merkel recebeu o reforço do arcebispo que presidiu a Conferência Episcopal da Alemanha e de vários clérigos igualmente indignados. Para o arcebispo, o levantamento da excomunhão de Williamson foi “catastrófico”.

Na tarde de 5 de fevereiro, o papa Bento XVI resolveu ser mais incisivo e acertou uma nova nota com a Secretaria de Estado do Vaticano. A nova nota diz que o bispo Richard Willianson deverá se retratar das declarações de negação à Shoá e isto “para ser admitido em funções episcopais da Igreja”. Frisa a nota, ainda, deve o bispo retratar-se “de modo completamente inequívoco e público” das afirmações.

Ontem mesmo, depois da divulgação da nota, Williamson compareceu à Justiça da Baviera, onde está sendo processado criminalmente por “incitação ao ódio”. Incitação ao ódio é um eufemismo por negar um dogma de fé moderno.

A Secretaria de Estado aguarda um ofício formal de retratação, que, diante do ocorrido perante a Justiça da Baviera, sediada em Munique, poderá não chegar. Espera-se (o Vaticano) a retratação nas próximas 48 horas. Enquanto isso, a diplomacia vaticana esclareceu que “o levantamento da excomunhão liberou os quatro bispos de uma pena canônica gravíssima”.

O que tem o assunto a ver com a imprensa? Para mim muita coisa. Entre elas fundamentalmente a liberdade de pensamento e expressão. Entre outros aspectos práticos sobre a infalibilidade papal e a sua diplomacia de trator. Mas mais importante os graves ataques a liberdade de expressão a que o Bispo está sendo submetido num mundo moderno que assina a carta da ONU e sendo perseguido por crimes de idéias e de manifestação.

Esperaríamos que uma manifestação falsa fosse combatida por manifestações verdadeiras, com mostrar de evidências documentais, com provas materiais, com provas inequívocas e não com a cadeia para quem não acredita.

A história dos judeus está justamente marcada por este abuso de dois mil anos. De não poderem se manifestar, contraditar mentiras, de crerem na sua verdade e se reunirem para realizar as mais simples tarefas comunitárias de uma sociedade sem pátria. Sem pátria porque eram rejeitados pelos nacionais como legítimos cidadãos por terem a sua fé própria e não acatarem a fé “oficial” declarada a verdadeira dentro do estado. Causa espanto, portanto, que agora aceitem a perseguições aos outros pelos motivos pelo qual padeceram por milênios. Quantos foram queimados por isto na história do Catolicismo ao duvidarem, serem contra, questionarem os dogmas católicos? (Por isto chamados dogmas). Como agora se pode aceitar a limitar a liberdade de questionamento histórico? Como pode se garantir a ampla defesa se a palavra pode ser limitada pelo poder? Se a liberdade é limitada arbitrariamente? Se a história é limitadamente decretada?

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos documentos básicos das Nações Unidas e foi assinada em 1948. Nela, são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem.

Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades humanas fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,

Artigo II.
1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo VII.
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo XVIII.
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.

Artigo XXVII.
1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.

2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX.
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Parece evidente que se está rasgando completamente a carta de 1948 pelos membros signatários em vários lugares no mundo, inclusive o Brasil, em defesa de novos dogmas modernos, que agora podem ficar de fora da mesma e ser imposta a força da espada. E para isto conta com a falta de protesto, manifestação ou luta dos jornalistas. Que deveriam ser os principais guardiões destas liberdades da qual é a essência da sua profissão, assim como dos operadores do direito.

Para o Islã o escritor Salmon Rushdie, autor de Versos Satânicos foi emitido uma fatwa, foi assassinado Theo VanGogh em Amsterdã e o do tradutor de Versos Satânicos em Tokyo, A Jóia de Medina (The Jewel of Medina) da autora a americana Sherry Jones, foi suspensa seu lançamento por medo de represália. Para os judeus os revisionistas precisam ser calados em vez de contraditados. Como podemos desavergonhadamente ter duas posições, castrando uns, e protegendo outros? Como aceitar a proteção de novos dogmas de fé? Não aprendemos com a história do cristianismo e do islã a maldade intrínseca destes atos? O quanto se lutou pelas idéias do Iluminismo. Da Revolução Americana e Francesa para jogar apressadamente fora na primeira comichão da mão do moderno inquisidor de voltar. Será que é nesta imprensa e nesta justiça vacilante que estamos depositando as nossas garantias de liberdade contra os poderosos de hoje? Jornalistas lutando pelo direito do assassinato político ser visto como forma de humanismo, e se cala frente à prisão e censura de opinião.

criado por bandarra    17:52 — Arquivado em: Cidadania, humanismo, laicismo

4.2.09

Papa não sabia, como qualquer um…

Parece que nem mais em assuntos de fé o Papa é infalível

Vaticano exige que bispo se retrate sobre negação do Holocausto

04 de fevereiro de 2009 •
O Vaticano exigiu nesta quarta-feira que o bispo Richard Williamson se retrate de maneira “inequívoca e pública” de sua negação do Holocausto para poder exercer como prelado da Igreja Católica.

Além disso, pediu a Williamson e aos outros três bispos que recentemente o papa suspendeu a excomunhão que aceitem o Concílio Vaticano II, e sublinhou que Bento XVI desconhecia a posição negacionista do prelado britânico.

Uma semana depois de o papa reiterar sua condenação ao Holocausto e aos que o negam, o que foi considerado insuficiente por destacados rabinos judeus e políticos europeus, o Vaticano divulgou hoje um comunicado com o objetivo de encerrar o caso da suspensão da excomunhão de quatro bispos tradicionalistas.

Williamson, de 68 anos, negou o Holocausto e a existência das câmaras de gás e, após os protestos, se limitou a pedir desculpas ao pontífice.

Hoje, a Secretaria de Estado exigiu a Williamson que se retrate “publicamente” de suas posições sobre a Shoah se quiser exercer como prelado dentro da Igreja Católica.

“A postura de Williamson sobre o Holocausto é absolutamente inaceitável, e firmemente rejeitada pelo papa. O bispo, para ser admitido nas funções episcopais na Igreja, terá de se retratar de maneira absolutamente inequívoca e pública”, precisou a nota.

O Vaticano ressaltou que quando reabilitou o prelado britânico conhecido por suas posições anti-semitas, Bento XVI “não conhecia” sua posição sobre o Holocausto.

Sobre o processo da reabilitação dos quatro prelados e a situação atual da Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X, fundada pelo arcebispo tradicionalista Marcel Lefebvre, o Vaticano ressaltou que a revogação da excomunhão representa apenas a “abertura de uma porta para o diálogo”.

Os quatro bispos foram excomungados depois de ser ordenados de maneira ilegítima em 1988 por Lefebvre, que nunca reconheceu o Concílio Vaticano II, o que provocou um cisma na Igreja Católica Apostólica Romana.

A suspensão da excomunhão destes prelados, acrescentou o Vaticano, “não significa” que a situação jurídica da Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X tenha mudado.

“Os quatro bispos não têm uma função canônica e não exercem legitimamente pelo Ministério. Isso significa que eles não podem celebrar missas, administrar os sacramentos ou predicar”, disse o Vaticano.

“Para um futuro reconhecimento da Fraternidade Sacerdotal de S.Pio X é condição indispensável a plena aceitação do Concílio Vaticano II e dos magistérios dos papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI”, segundo exigiu o Vaticano.

Com estas exigências, a Secretaria de Estado vaticana quer transmitir “tranquilidade” aos setores da Igreja que temiam que a decisão de Bento XVI representasse “um passo atrás”, segundo assinalaram à Agência Efe fontes eclesiais.

Os tradicionalistas continuam sem aceitar o Concílio Vaticano II desde o cisma de 1988, e qualificam de “destrutivas” as reformas surgidas dele.

Durante estes 21 anos, tanto João Paulo II como Bento XVI tentaram se aproximar dos tradicionalistas para que retornassem à obediência oficial da Igreja.

No entanto, os tradicionalistas mantêm suas “reservas” sobre o Vaticano II, apesar de agradecerem por algumas iniciativas do papa, como voltar a celebrar a missa em latim.

EFE -
Passinho para frente, passinho para trás!

Bispo diz que não se retratará por negação do Holocausto

07 de fevereiro de 2009 • 08h30 • atualizado às 09h21

O bispo ultraconservador Richard Williamson disse que, por enquanto, apesar do pedido do papa Bento XVI, não pretende se retratar de sua negação ao Holocausto, que gerou polêmica no mundo todo, pois coincidiu com sua reabilitação e a de outros quatro bispos lefebvrianos.

Em declarações a serem publicadas pela revista alemã Der Spiegel em sua edição da próxima semana, Williamson diz que, antes de se retratar, tem que revisar as provas históricas. “Se encontrar provas, me corrigirei, mas isso levará tempo”, disse Williamson.

Além disso, Williamson reiterou sua rejeição ao Concílio Vaticano II e disse que os textos que saíram do mesmo são ambíguos. “Isso é o que levou ao caos teológico que temos atualmente”, disse Williamson.

O bispo também se mostrou crítico à ideia da validade universal dos direitos humanos. “Onde os direitos humanos são vistos como algo objetivo que o Estado tem que impor chega-se sempre a uma política anticristã”, disse Williamson.

O papa Bento XVI revogou a excomunhão que pesava sobre Williamson e outros quatro bispos seguidores do cismático ultraconservador Marcel Lefebvre, poucos dias após ter negado o Holocausto, em uma entrevista à televisão sueca. Isso produziu grande polêmica e críticas no mundo todo à decisão do papa e à doutrina defendida pelos lefebvrianos.

Recentemente, o Vaticano exigiu aos lefebvrianos que aceitassem as doutrinas do Concílio Vaticano II, que tentaram abrir a Igreja Católica ao mundo moderno.

A negação do Holocausto é crime na Alemanha e a Procuradoria de Regensburg tem um sumário aberto contra Williamson.

Vinhos da mesma pipa!

EFE
Atualizado em 9 de fevereiro, 2009 - 05:47 (Brasília) 07:47 GMT
Richard Williamson (foto de arquivo)

Declarações de Williamson provocaram várias críticas

O bispo inglês radicado na Argentina Richard Williamson, que negou a existência do holocausto, foi retirado no domingo à noite da direção do seminário de La Reja, da Fraternidade Sacerdotal Pio X, uma ala conservadora e dissidente da Igreja Católica.

Bispo agora é “excomungado” da Argentina

Argentina expulsa bispo católico que negou holocausto

19 de fevereiro de 2009
criado por bandarra    16:37 — Arquivado em: Falsidades, Fundamentalismo

3.2.09

Não me Lembo de uma bobagem tão grande!!!

Segunda, 2 de fevereiro de 2009, 08h01

Explosão de soberba

Cláudio Lembo
De São Paulo

Paira um espectro sobre a Europa. Não é o espectro do comunismo. Fere um dos mais profundos sentimentos do Ocidente. A crença em Deus. Em países, antes arraigadamente católicos, estende-se a onda do ateísmo.

Não se trata de manifestações individuais. Ao contrário, formam-se coletivos para o exercício de ativa militância contra o divino. Campanhas publicitárias se desenvolvem.

Nas laterais dos ônibus da cidade de Barcelona, cartazes refletem esta situação. Dizem: Provavelmente, Deus não existe. Viva e goze a vida. A iniciativa tende a se estender a outras cidades da Espanha.

A autoria dos dizeres é de uma associação de ateus e livres pensadores. Houve resposta. Apareceram faixas em oposição: Você verá, quando tudo fracassar, restará Deus.

O fenômeno não se restringe ao espaço ibérico. No leste europeu existem países com alto percentual de pessoas que se declaram ateus. Mais de setenta por cento na Hungria.

Os franceses são autores de uma extensa bibliografia. Um combate contínuo contra a figura de Deus. Certamente, originário do pensamento iluminista.

O iluminismo, como posteriormente o marxismo, pretendeu colocar o homem no centro do universo, concebendo um humanismo materialista. Este, em seus primórdios, exercia grande influência entre os intelectuais.

Com o passar dos séculos e o surgimento do consumismo sem limites, o ateísmo ingressou na consciência das pessoas comuns. Os valores religiosos foram substituídos por um hedonismo selvagem.

Vale consumir e aparecer. Não importa qualquer aproximação com o Superior. Daí um passo para a negação de Deus. Antes o agnosticismo e em seguida uma posição expressa de contestação.

Os ateus não querem aceitar uma figura além da História. Desejam ser senhores de suas trajetórias, sem qualquer intromissão externa. Querem ser deuses individuais.

De há muito, os não-crentes passaram a preocupar os membros das religiões monoteístas. Ordens religiosas católicas apontam para a presença do ateísmo nas universidades da Ásia, África e América Latina.

Aqui, segundo estas fontes, a motivação seria diversa da existente nas sociedades afluentes. Um novo aspecto é apontado. A presença da injustiça como um fator de descrença.

Exatamente isto: a injustiça presente em todos os desvãos das sociedades latino-americanas leva a juventude a descrer. Encontrar, nas imensas diferenças sociais, motivo de não-crença.

Nota-se, pois, o encontro de duas vertentes nos países latino-americanos. Aquela que leva ao materialismo pelo excesso de consumo e de benesses e a outra que aponta para a carência dos bens mínimos para a sobrevivência.

Caro que estas posições de ponta não atingem todos os países de igual maneira. Graças às raízes africana, indígena e portuguesa, no Brasil existe um misticismo disperso.

Este atinge todas as camadas da sociedade. A crença no divino é inerente à formação brasileira. Com um traço específico. Os cultos de origem africana e indígena possuem um forte contingente panteísta.

Este nem sempre é percebido, em virtude do sincretismo religioso oriundo dos tempos das práticas escravagistas. O que se assemelhava aos rituais cristãos continha as práticas dos cultos dos ancestrais.

A natureza é traço marcante destes cultos. Ela se mostra por inteiro na forma de viver dos brasileiros. Convivem com natureza em seus vários aspectos. A exibição desinibida dos corpos é um deles.

Pode-se adiantar que a militância dos não-crentes não terá êxito entre os brasileiros. É própria de povos frustrados e deprimidos. No entanto, não se deve esquecer que a divindade, por aqui, tem um traço panteísta.

Como praticada na Europa, a descrença pode conduzir a um niilismo sem igual. A perda de referências leva as pessoas a um individualismo sem precedentes.

A um mundo sem valores e propício à prática de quaisquer atos. A crise financeira dos países centrais, certamente, tem grande parcela deste individualismo contemporâneo. Alarmantemente sem valores.

Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.

Fale com Cláudio Lembo: claudio.lembo@terra.com.br

Terra Magazine

Lembo está meio atrasado no tempo emocional e histórico. A revolução francesa ocorreu na Europa no século XVIII e foi o maior impulsionador do pensamento ocidental moderno. Os princípios de igualdade, fraternidade e humanidade. Até esta época o que vigorava era a monarquia sustentada em Deus (pelos papas) e as guerras de origem religiosas entre Huguenotes, protestantes, católicos, calvinistas e judeus. Não se pode chamar a idade das trevas, sob o domínio do catolicismo, as cruzadas ou a inquisição, como épocas boas para a humanidade, para o combate da pobreza, escravidão ou servidão humana. Principalmente para os povos africanos escravizados por católicos trazidos ao Brasil e os povos ameríndios dizimados em nome de Deus para trabalharem de escravos para os católicos  nas Américas. Sentiram na carne a necessidade do Deus que Lembo acha essencial para a brasilidade. Atribuir aos ateus a crise nos mercados financeiros, Sr Lembo? Em 1929 foi atribuída aos judeus da Europa para justificar a perseguição aos mesmos. Bush ser considerado um presidente ateu é só de uma mentalidade infantil e preconceituosa.

Massacre da noite de São Bartolomeu

O massacre da noite de São Bartolomeu foi um episódio sangrento na repressão dos protestantes na França pelos reis franceses, católicos.

criado por bandarra    16:15 — Arquivado em: Falsidades, Fundamentalismo, Intolerância

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